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Monthly Archives: October 2012

Há dois prazeres (pecados capitais?) muito associados a São Paulo: a comida e as compras.

Em cinco dias dediquei-me avidamente a ambos.

Porque nesse período de tempo não se pode ter tudo, e São Paulo é uma das capitais do Mundo, imensa, e com uma vida social e cultural super intensas, tivemos que delimitar os nossos passos, que acabaram por nos levar à descoberta das lojas mais apelativas e aos restaurantes mais bochichados.

Das compras

Convém haver algum planejamento antes da viagem, para que o rombo seja menor.

É que o risco de aterrisar nas lojas e surtar é enorme.

Porque há muito que fazer compras no Brasil deixou de ser sinónimo de voltar a casa (só) com a mala cheia de bikinis e havaianas. Significa ir a boutiques exclusivas que não existem na Europa, cheia de roupa ultra-feminina e muito gostosa, que as suas amigas (a menos que viajem junto)e as desconhecidas lá da terra não terão de certeza. Significa morrer completamente (de alegria) perante aquela panóplia multicolor, multi-forme e multi-bonita de sapatos que fazem as delícias de qualquer (repito, qualquer!) mulher.

Mas isso também significa gastar quantias consideráveis nesses “pequenos” prazeres, porque também há muito que o Brasil (e São Paulo em particular) deixou de ser um destino de férias barato.

Por tudo isso, há pequenos truques que podem fazer uma enorme diferença (ou não):

1. Ir aos sites das lojas – alvo, antes da viagem, e dar uma olhadela à colecção do momento. Tem o duplo efeito da “habituação” (ao menos deixa-se de fazer figura de otária perante aquele vestido mara! e há tempo para ponderar o preço) e da organização;

2. Enviar emails para as lojas e pedir que reservem aquele modelito especial que você achou super (as funcionárias são super solícitas e simpáticas. Toda a gente trabalha à comissão, por isso o empenho será absoluto).

3. Já em Sampa, pedir o guia de lojas dos shoppings, para perceber que lojas se quer ver.

4. Conselho de amiga: levar dinheiro em mão. Dói mais ver as notas a acabar.

5. Conselho da (amiga da) onça: o cartão de crédito (amigo/inimigo?) deve ser usado apenas  nas emergências, i.e., para comprar aquele vestido com poder de dar uma reviravolta na sua vida (se quisermos mesmo acreditar que isso existe).

 

O meu spot preferido para compras foi sem dúvida a famosa Rua Óscar Freire. Porque tem quase todas as lojas must go, é linda, agradavelmente “verde”, tem imensos cafés, restaurantes de renome (como o Figueira, o Tavares e o japonês Mori) e bares nas redondezas e não se fica com a sensação claustrofóbica de passar o dia inteiro dentro de um shopping.

Sugiro uma visita, entre sapatos e malas, a Livraria da Vila e aos Cafés Santo Grão ou Óscar Café, tudo na Óscar Freire.

Quanto aos shoppings, há imensos e não vale a pena (tentar) ir a todos!!!

Os mais agradáveis (que tive oportunidade de visitar), a meu ver, são o Iguatemi, o JK Iguatemi e o Cidade – Jardim, mas nada como fazer uma pequena pesquisa para verificar as lojas de cada um e (muito importante) a sua localização.

To be continued.

 

Nota: as palavras em itálico, por serem expressões tipicamente brasileiras, devem ser lidas com sotaque. Porque senão o texto perde a graça toda, poh!

Chegámos aos Jardins Paulistanos, nossa casa pelos próximos dias, cheias de fome.

Não me refiro à fome de descoberta e outras coisas mais poéticas, mas à fome mais básica. Tipo, de comida (para comer).

E isso levou-nos à “descoberta” daquilo que [redutoramente] os brasileiros chamam de “padaria”, mas que é, na verdade, um mundo em si mesmo.

8h30 de voo, péssima comida de avião, burocracias de aeroporto e viagens de táxi justificavam o olhar guloso com que olhávamos para aquelas prateleiras recheadas de bolos, salgadinhos, pão de queijo, pizzas, pastelinhos, grelhadinhos, suquinhos naturais daquelas frutas tropicais que só existem no Brasil…e muito, muito mais.

E descobrimos alegremente que essas “padarias” existem por toda a cidade, e que algumas delas estão abertas 24h/24h (nocturnos, podem tirar esse ar de satisfação do rosto, que isso é feio), como a cadeia Bella Paulista ou a Galeria dos Pães.

E logo ao primeiro dia, depois de pôr algumas conversas [sempre pendentes] em dia, de termos feito o reconhecimento da zona (i.e. depois de ver em que shoppings mesmo ao lado de casa iríamos dar azo ao nosso espírito consumista), e de percebermos que o clima em São Paulo é tudo menos constante (passa do dia ventoso ao calor intenso para a chuva tropical num estalar de dedos), fomos a um get together em casa de um pessoal brasuca, com amigos de amigos.

Esse encontro de amigos tinha um motivo muito especial para acontecer.

Assim, mesmo especial. A nível nacional, eu diria.

Não, não se celebrava o aniversário de ninguém, nem era a final da copa do Brasil.

Era simplesmente o dia em que passaria o último capítulo da novela do horário nobre. E não, esse programa não foi nada, mesmo nada brega.

Teve direito a jantarada, choradeira, comentários no intervalo, críticas às performances, gargalhadas gerais, até apostas sobre o final, por 10 Reais por pessoa [questões: “qual será o final da Carminha?” “Quem você acha que matou o Max?”]…

Fui contagiada pelo entusiasmo natural dos brasileiros, pelo espírito apaixonado com que vivem a trama (com que vivem a vida!) e nunca pensei gostar tanto de ver o final de uma telenovela (eu, que as abandonei há anos!), simplesmente pela companhia, e considero esse momento como o primeiro choque cultural que tive durante essa viagem!

[Porque falamos todos português, sim, mas dentro das nossas semelhanças ressaltam muitas diferenças. Gosto disso.]

Daí seguimos para a festa Gambiarra, que nesse dia seria na discoteca The Week.

A festa Gambiarra acontece com frequência em São Paulo, sempre em locais diferentes. Nessa sexta feira foi na The Week, uma discoteca com várias pistas de dança, demarcadas pelos diferentes estilos de música (desde os eighties a MPB, passando pelo house e comercial) e pela decoração de cada sala.

Atenção que em São Paulo o “ambiente” nas discotecas muda radicalmente consoante o dia da semana, por isso convém informarem-se primeiro sobre que tipo de festa é, para saber se estão no mood!

É que você tem que ficar ligado, cara! Há um monte de sítios super antenados por São Paulo.

A partir daí é só sair do giro, subir no queijo e curtir aquela música que é massa.

To be continued.

 

 

Nota: as palavras em itálico, por serem expressões brasileiras, devem ser lidas com sotaque. Porque senão o texto perde a graça toda, poh!

Há viagens que aparecem do nada. Surgem quando não dá mesmo jeito nenhum fazê-las. Quando as nossas vidas estão descontroladas de tão ocupadas e entrar num avião é a coisa menos sensata a fazer.

E também há qualquer coisa de muito especial em simplesmente agarrar numa amiga e fazer uma viagem inesperada.

A junção dessas duas constatações retrata bem as circunstâncias em que viajo, neste exacto momento, para São Paulo.

[Está a cabine do avião às escuras, são 10h00 da manhã onde partimos (é madrugada onde queremos chegar!!!) e o meu cérebro, em motim aceso com o meu sono, achou melhor ideia pôr-se a filosofar do que preparar-se para o jet lag que se avizinha…]

E lembrei-me de pensar que as viagens com amigas têm qualquer coisa de semelhante aos poderes do Professor Bambo e colegas do mesmo ramo, porque de alguma forma têm efeitos curativos…fazem esquecer o cansaço do corpo, as preocupações com o trabalho, os desvarios da mente e, se for o caso, até curam males de Amor…

Poção mágica “cura tudo”:

Amigas q.b.

País tropical, bonito por natureza

Mala “meio cheia” de roupa bonita, porque a outra metade é para o shopping

Uma colher de sopa de vontade de “descobrir”, desmistificar, abrir janelas

Duas pitadas de dicas fantásticas de quem já explorou a cidade

Um abraço forte do amigo do peito que nos vai receber por lá

Juntar tudo vigorosamente, com ritmo sambado, gargalhadas e conversas bem regadas a euforia, mas sem entornar o caldo (se possível).

 

É a segunda vez que vou a São Paulo. A primeira foi apenas um teaser, que me deixou com vontade de voltar.

Fui-me  embora com a memória cheia de imagens de uma cidade megalómana, difícil de abraçar, com “a dura poesia concreta de duas esquinas”, já com Rita Lee na cabeça (só “a tua mais completa tradução”)…e a reflectir na  mistura meio esculhambada (já estou a entrar no mood e ainda nem aterrei) de cores, tamanhos, cheiros, estilos, com uma postura completamente diferente dos meus outros “Brasis” (é agora que esquecemos a garota de Ipanema, o acarajê da Bahiana e as praias de Búzios).

Alguém definiu São Paulo como a Nova Iorque da América Latina. Achei mais original a descrição de um amigo, que considera-a uma mescla de Nova Iorque, Brasil e Luanda.

Parto, agora, à procura da descrição da cidade que tenha a minha assinatura!

To be continued!

 

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