Archive

Monthly Archives: November 2012

Decidimos, por esta vez, não mergulhar nas águas da Baía Azul, nem recordar as ilhas gregas na beleza da Caotinha, porque, apesar de sempre apetecíveis, destinos (mais) misteriosos aguardavam por nós.

E vamos a caminho do Dombe Grande! Terra linda, muito verde, vemos à beira da estrada as vestes tradicionais dos povos daquela zona, animais a meio da estrada, e lembro-me mais uma vez que estou na África profunda. A sensação é boa!

Terra mítica, dizem os mais velhos. Vão procurar feitiço? Perguntam-me ao telefone.Nao! arrepio geral, gargalhadas no carro.

Terra onde se deve beijar o crocodilo, para dar sorte, diz o povo. Fala-se muito, mas à boca pequena, com cuidado. Fazem-se tratamentos, por aqueles que “os fazem” e mais nao se diz. Explicou nos o Tony, o pastor de mais de 100 vacas, que nos fez uma visita guiada pelo Dombe. Terra de palmeiras, com resquícios de outros tempos (fábrica açucareira, vivendas coloniais), terra mítica, sim…

Do Dombe Grande, seguimos para a Equimina, zona de pescadores, no meio de nenhures, mas a registar uma surpreendente melhoria das condições de vida da população.

Vai a Renata ao volante, exímia no domínio da picada, o Diogo a tentar fotografar tudo, eu e o Alain só a mandar bitaites e a comer bolachas…cada um com o seu papel!

O objectivo final era chegar à Baía dos Elefantes.

Ouvi o nome e liguei logo o radar.

Quem é que nao quereria chegar a uma Praia praticamente deserta, com nome exótico, águas azul-esverdeadas, que para alcançar é necessário negociar com os pescadores uma boleia de barco, ou agarrar no jeep e fazer TT por vales “inasfaltados” e “des-sinalizados”?

Nós quisemos, e foi por aqui que tivemos que passar.

Quase, quase que não correu bem…

To be continued.

Fotos de Diogo Bettencourt Pereira.

Advertisements

Somos quatro.

Descobri (pela milésima vez na vida, talvez) que gosto muito de descobrir lugares, mas não há magia igual à descoberta de pessoas.

Os aventureiros: 4 pessoas que, por caminhos diferentes, vieram dar ao mesmo destino.

Uma luso/italiana/angolana que, seguindo as pegadas do avô, veio descobrir tesouros imateriais e uma paixão arrebatada por esta terra, Benguela, e que é a nossa cicerone.

Um franco-gabonês que leva na bagagem Libreville, florestas tropicais, elefantes n’areia, Londres, Paris, Buenos Aires, sabe se lá o que mais, e que acabou por adoptar Luanda como casa.

Uma angolana com pitadas de lusofonia e com a mania de Sócrates (o grego!!!) de querer ter cidadania mundial.

Um açoriano, lobo do Mar, olhos cor-de-mel em moldura amendoada que não vêem paisagens, mas enquadramentos fotográficos, e que voou para o Hemisfério Sul por se ter enamorado (diz ele) por uma morena de Angola (será que vai querer regressar?)…

Benguela é uma das Províncias mais importantes de Angola. Ainda guarda uma certa pacatez própria da Província, mas tem recuperado, com sapiência, ao longo dos anos, o lugar de 2a Província.

Há uma certa rivalidade entre as cidades do Lobito e Benguela, mas quem chega divide coraçōes, tempo e kilometragem entre as duas, porque uma só é perfeita porque a outra lá está, e porque  (sim!) é possível ter dois amores, que em nada sao iguais.

A Restinga do Lobito, tão bonita (assim a cantaram Yola Semedo e Paulo Flores, no episódio anterior), é o meu lugar preferido na cidade. Guarda ainda a nobreza de outros tempos, com os seus edifícios de arquitectura colonial, tão imponentes, as vivendas à beira mar, uma certa aura…

Desses edifícios, o que mais gosto é o do hotel Terminus. Mesmo em frente a Praia, é paragem obrigatória na cidade, para jantar, tomar o pequeno almoço ou almoçar entre mergulhos de mar.

To be continued.

P.S. Fotografia de Diogo Bettencourt Pereira.

A viagem já é real!

Saímos da zona de conforto, do habitual.

Já contamos, quase um a um, os Kms que nos falta percorrer.

[Essa contagem parou logo a seguir, porque ainda faltavam mais de 400 e não havia paciência para tanto número].

E não há escala de avião, milhas de voo acumuladas ou revista no detector de metais que superem a excitação da comunicação entre carros, e com a família, com os outros amigos, no Facebook, com quem ficou, com quem vai, com quem passa e ultrapassa…

Porto Amboim. Abastecer o carro. E vocês? Sumbe. Vai a marginal almoçar, e fica atenta ao verde da paisagem. Sempre presente a poesia do meu pai. Rio Kwanza, Rio Longa, Rio Keve. A Canjala, linda, outrora palco de horrores. Mas a história já seguiu viagem.

E a (re)descoberta de um País, hoje (felizmente) com duas caras…a do progresso determinado em apagar as marcas da guerra, que aconteceu ali ao virar da esquina (disse-me o tanque de guerra ferrugento, que há muito conta as suas histórias ao pé da ponte da Barra do Kwanza)… e a da natureza viva, verde (e vermelha, e plana, montanhosa, imensa, maravilhosa), que brota indomável dos dois lados da estrada (que, parece-nos, vai desembocar no Paraíso, que fica logo atrás da próxima Serra) e que transforma esta viagem numa aventura, porque nos lembramos de repente que estamos em África e que somos todos potenciais descobridores!

Chegámos!

E o Lobito começa caótico, barulhento, feio mesmo, kupapatas a zunir de um lado para o outro, mas continua, nao desanimes, segue em frente, procura a Restinga, ela faz-te um mar de promessas que são cumpridas com o pôr-do-sol-vermelho-fogo e gargalhadas de amigos com os pés na areia da Praia.

É o encontro dos aventureiros!

Pilotos e navegadores. Homens e Mulheres.

Unidos na vontade urgente de brindar com uma Ngola e comer amêijoas no bar da Tia Fátima, o mar ao fundo, resquícios do espectáculo solar ainda no céu que serve de pano de fundo a esta cena.

To be continued.

Há qualquer coisa de muito entusiasmante nas road trips.

Empacotar a roupa, preparar o farnel para a viagem, equipar o carro, decidir o horário de partida, distribuir as pessoas pelos carros, fazer o diário de bordo, controlar a cena, contar minuciosamente cada Km percorrido, qual conquista, descobrimento, 500 batalhas de uma guerra, 500 beijos em estado de amor, 500 km Luanda-Benguela…

Fim de semana prolongado foi o pretexto ideal.

Lembro-me sempre de agradecer (aos feriados) pelas curtas férias, em que o corpo volta bem cacimbado a casa, mas a mente voa, levezinha, e sobrevoa a paisagem.

E essa paisagem não é constante, não é nuvem fora da janela do avião!

É caótica à saída de Luanda, tem despedidas da família, café da manhã com os “tripulantes”, muita gente a vender de tudo, tem praça do artesanato e o Mussulo lá ao fundo, e há, gradualmente, cada vez mais natureza [de que por vezes nos esquecemos quando embrenhados nos arranha-céus e na movida electrizante de Luanda].

E o conta kilómetros continua!

E vou eu a conduzir, com a Alicia Keys (e eu) literalmente aos berros [para desespero do meu navegador], feliz ao ver o Miradouro da Lua já lá atrás, a acenar ao Rio Kwanza, e finalmente a ultrapassar Cabo Ledo!

Dá vontade de dar uma guinada no volante para a direita e descer para a Praia dos Surfistas, só para um mergulho rápido, cumprimentar os amigos e seguir viagem, mas lá mais para baixo algo muito especial já esperava por nós.

Isto…

To be continued.

O D.O.M. não era suposto ter sido uma surpresa. Mas foi. Daquelas dignas de registo.

Eu já deveria saber que, sendo considerado um dos melhores restaurantes do Mundo (o 4.º melhor, de acordo com o ranking da World’s 50 Best Restaurants e o 7.º pela revista Britânica Restaurant), coisa tri-gostosa tinha de sair daí!

E foi, de facto, sem exageros nem histerias, uma das melhores experiências gastronómicas que tive até hoje.

Não houve nada que pudesse estar um pouquinho melhor. Tudo correspondeu às expectativas de quem vai jantar a um dos melhores restaurantes do Mundo, “conduzido” pelo grande Alex Atala (que também mostra os seus dotes no seu Restaurante Dalva e Dito, em São Paulo).

Desde a porta gigante à entrada, perfeitamente embutida num edifício que passa quase despercebido, como convém a “esses” lugares de culto, à atenção esmerada dos garçons, passando, claro, pela decoração interior e pelo ambiente da casa (cosmopolita, descontraído, cool, numa expressão (de lojista paulistana): “o ápice do chique!”).

Todas as entradas, pratos principais, sobremesas, cocktails, apresentação, delicadeza estavam al dente, e tudo isso, aliado à companhia fantástica ao jantar (os incomparáveis João, Fátima e Maria João, nessa noite no seu melhor), às conversas bem regadas (prometidas desde o 1º episódio) e impossíveis (quiçá impróprias) de reproduzir, e aos muitos risos abrilhantados pelo Spicy Apple Martini (que aprendi a adorar, e recomendo muito), fizeram deste um dos jantares mais memoráveis das minhas viagens.

E o reverso da moeda, em termos gastronómicos, também existe!

Bar Brahma, no Centrão. Boteco mítico, onde nasceu a Música Popular Brasileira (MPB). Cantado por Caetano Veloso e seus contemporâneos.

Chopinho gelado, sortido de pastéizinhos, aipim com carne, música ao vivo. Tão bom, que dentro do seu ranking, deve estar equiparado ao D.O.M.

Esse programa tão “obrigatoriamente” brasileiro precedeu o concerto da Feist, no Cine Jóia. Viagem entre dois mundos, prova do cosmopolitismo da cidade.

Hei-de voltar a São Paulo.

É, para mim, inconcebível que as mil caras que a cidade tem se tenham resumido às linhas que aqui tracei. É um retrato injusto, incompleto, pobre, eu diria, perante os mundos que ela encerra.

Explorar a sua faceta cultural será o próximo objectivo, que desta vez se ficou pela visita a Livraria Cultura, onde, entre “descobertas” de autores brasileiros, clássicos e contemporâneos, revisitei a minha querida (e controversa) Casa dos Budas Ditosos.

Nessa viagem foi tudo odara…porque São Paulo é tudo de bom!


Dicas de viajante:
Se vai a São Paulo, não precisa de bater cabelo para decidir a que restaurante ir! A app Kicanto é uma óptima ajuda nessa pesquisa.
Depois, para queimar os quilinhos extra, ou simplesmente ver a cidade por outra perspectiva, a app Bikesampa é massa para aluguer de bicicletas (no meio da rua).


Nota: as palavras em itálico, por serem expressões tipicamente brasileiras, devem ser lidas com sotaque. Porque senão o texto perde a graça toda, poh!

Da Gastronomia

Decidimos não perder tempo precioso de degustação com banalidades e fomos directo ao que interessa.

Reservamos, com antecedência, mesa no Fasano e no DOM.

O Fasano, que fica no Hotel com o mesmo nome, foi considerado o melhor restaurante italiano da América Latina.

É um restaurante muito tradicional, com aspecto conservador q.b. e empregados trajados a rigor. Há toda uma atmosfera de requinte, com gente muito composta, e até nós fizemos um esforço para nos comportarmos à altura (foi mesmo difícil, mas acho que conseguimos).

A ementa é apelativa e a comida soube deliciosamente bem, acompanhada por um Malbec Argentino (na América Latina, sê Sul Americano).

O ponto alto, na minha opinião, foi a ida a casa de banho!

Não me interpretem mal. Eu gostei mesmo do restaurante.

Mas é que mesmo ao lado da casa de banho há um botãozinho que, quando pressionado,  o vidro, antes fosco, torna-se transparente, deixando ver toda a cozinha, como que num passe de mágica!!! Devo ter ficado uns dez minutos a acenar aos Chefes (até eles virarem a cara para o lado!). Foi Mara!

Tencionávamos ir a qualquer lado fechar a noite, mas fomos subtilmente encaminhados para o Baretto, onde languidamente nos deixamos ficar ao som de Bossa Nova ao vivo e flutes de champagne. Claramente a vida corria-nos bem.

Outro sítio que me deixou boquiaberta (lugar super bochichado…eu disse logo: “eu super tô indo”) é o Unique Design Hotel, com o seu Skye Restaurante & Bar no terraço.

Impressionante! Surtei!

Percebi logo aquela coisa da Nova Iorque da América Latina porque, lá de cima, em plenos Jardins, parecia mesmo que tínhamos vista sobre o Hyde Park. Ambiente cosmopolita, cocktails aliciantes, uma piscina vermelha que corria o risco sério de ser corrompida depois do 2.º cocktail, tudo nota dez!

(Atenção que convém levar o cartão de crédito como caução, ainda que posteriormente se pague de outra forma).

O Spot é um dos spots a conhecer. Restaurante /bar em funções há quase 20 anos (com ar de ter sido inaugurado há 3), super art déco, ambiente descolado, trendy, muito artístico, com empregados escolhidos a dedo (pela beleza. Da física, mermo!). Óptimo para tomar um Long Island ou fazer uma jantarada com amigos. Perfeito para fechar a noite de Domingo (com ambiente de sexta feira).

To be continued.

 

Nota: as palavras em itálico, por serem expressões tipicamente brasileiras, devem ser lidas com sotaque. Porque senão o texto perde a graça toda, poh!

%d bloggers like this: