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Monthly Archives: February 2013

Em Agosto de 2012 tive o enorme privilégio de regressar a Lunda Norte, em Angola, para estar presente na (re)inauguração do Museu Regional do Dundo.

Isto, numa altura em que José Redinha [1905-1983] já havia entrado na minha vida.

Meses antes, à mesa, num lânguido almoço de Sábado, o meu pai falou-me, pela primeira vez, no nome do etnólogo, mas fê-lo (propositadamente?) de forma romanceada, quiçá para prender a minha atenção…

Isso foi o que achei na altura.

Mais tarde percebi que a Obra e o Homem estão definitivamente interligados, e que é impossível admirar um sem conhecer o outro, nem sem embarcar na grande história de amor e de aventura que foi a sua vida.

Mais do que um legado inestimável para a cultura Tchokwe, povos do Leste de Angola, Redinha, o explorador, sociólogo, aventureiro, curandeiro, poeta e tanto mais, recolheu, catalogou e ajudou a “conferir identidade” aos elementos hoje reconhecidos como parte dessa cultura.

Também conhecido como Soba Sacapuma (o único Soba branco, nomeado pela comunidade Tchokwe), é considerado um ícone imortal na História de Angola, pelo seu contributo para o enriquecimento da cultura Angolana, com a produção de inúmeros trabalhos sobre etnologia, etno-sociologia e outros temas relacionados com a cultura, geografia e costumes ancestrais, tendo ajudado na “reflexão” mundial sobre o papel e o “lugar” das culturas étnicas para a identidade de um povo.

Regressar a Lunda Norte, da qual me restavam apenas ténues lembranças de infância, significou relembrar o cheiro da chuva na terra…

Porque, pelo filho dele, embalada pela humidade nocturna, indiferente às gotas de chuva que ainda caíam, foi-me ensinado que, por vezes, o tempo anda de frente para trás.

Que aquela cidade, que hoje apenas lembra vagamente o que já foi, albergou outrora uma sociedade elitista, cujos requisitos para “entrar” pela porta da frente eram tão exigentes quanto saber dançar a valsa, andar a cavalo e fumar charutos…e já teve um dos Museus mais importantes (fundado por ele, Redinha) da África Subsariana…

Hoje, a intenção é de resgate dos valores da tradição e cultura.

Para que possamos escrever a história, a partir de agora, com tinta colorida, como as usadas nas vestes dos bailarinos Tchokwe.

Porque faz sentido dizer: “Mais Cultura, mais Angola”.

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