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Monthly Archives: June 2014

Realizado por Bernardo Gramaxo, para as produtoras The Art Affair e The Takes

 

Porque hoje, 20 de Junho, é o DIA INTERNACIONAL DO SURF, fazemos uma homenagem a este desporto que apaixona milhares pelo Mundo, e que começa, também em Angola, um país com 1650Km de costa, a pouco e pouco explorada por surfistas, a dar os primeiros passos.

A comunidade de surf aponta como principais aspectos favoráveis de Angola, como destino de surf, a possibilidade de se encontrar ondas durante todo o ano, o comprimento invulgar e perfeição das ondas, a temperatura das águas – tépida ou quente – e o estado selvagem e deserto em que as praias ainda se encontram.

Cientes deste fenómeno, as jovens produtoras de audiovisuais e artes plásticas The Art Affair e The Takes, irmãs praticamente gémeas, assumiram o compromisso de revelar Angola e as suas praias desertas como um destino de surf, com ondas ao nível das mais procuradas no mundo, bem como um destino de turismo, com beleza histórica, natural e cultural deslumbrantes.

A par e passo, pretendem demonstrar a importância do surf como um desporto de causas solidárias e de defesa da natureza, que permite cultivar uma atitude perante a vida: positiva, autêntica, proactiva, independente e de procura permanente.
Este vídeo, filmado em Angola no final de 2013, entre Luanda e Cabo Ledo, é o primeiro passo na prossecução do compromisso a que se propuseram.
Surf in Angola…are you ready?
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The Alexe Affair

Desde que o The Alexe Affair entrou na minha vida, a percepção do “meu” mundo sofreu uma grande alteração. E as vivências pessoais passaram a ser, inevitavelmente, uma partilha de experiências.

On the road” passou a ter um novo significado, e com ilustração própria e parágrafos delineados, os pensamentos e sensações (posso chamar-lhes pensações?) trazidos à flor da pele durante o rotineiro trajecto até à esquina valem, percebo agora, tanto quanto uma longínqua viagem de avião para um qualquer destino paradisíaco.

Certo é que todas as partidas e chegadas carregam um significado imenso, com peso próprio, não necessariamente aquele que levamos na bagagem, mas o peso que acarreta conhecer novos mapas, novas pessoas, novas rotas e novos sabores.

Porque com elas, as tais partidas e chegadas, deixamos ou ganhamos sempre alguma coisa. De preferência, deixamos pré-conceitos e ganhamos novos olhares sobre o mundo…esse conceito etéreo, algo inatingível, que significa uma realidade diferente para cada viajante.

E com tantas partidas e chegadas, cheias de sentimentos confusos de perdas e ganhos, eu optei pela metamorfose…hoje sou (porque assim o quis) o sítio onde me encontro e as pessoas com quem estou…simbolizo os caminhos por onde passo, represento os hábitos, assimilo, cozinho em pote invisível, tento absorver tudo aquilo que caracteriza os locais do agora. Porque tenho uma sede inesgotável de descobrir o que está do outro lado da porta.

Descobri que não há nada como ouvir uma morna em Cabo verde, sermos donos do mundo em Nova Iorque, apaixonarmo-nos pelo Tango em Buenos Aires ou pisarmos a terra mística do Mayombe.

Nasci na exótica e húmida Luanda, num tempo que antecede o cosmopolitismo de agora, mas que guardava em si todas as heranças da história. Fui muito cedo para Lisboa, e sem perder a identidade, acumulei culturas. A minha escrita é, necessariamente, uma mestiçagem de vivências.

Com sede emocional em Luanda, e com toda a Angola para (e por) viver, percebi um País que se está a redescobrir (ainda mais do que a ser descoberto), com lugares, gastronomia, artes e sonoridades com traços antigos e novos, elementos identitários e hábitos cada vez mais diversificados.

Luanda é hoje uma cidade com uma movida ímpar, cosmopolita, jovem e vibrante, com características muito próprias mas aberta à mudança e às tendências mundiais, exímia representante da nova África que agora se apresenta ao mundo.

O que mudou, cá dentro? Mudou? Cresceu, metamorfoseou, borboletou?

Mudaram os tons de verde que consigo distinguir, desde que entrei no Mayombe, desde sempre Maravilha, cenário de guerra e de paz, e me senti, como Mukenga, filha de Cabinda, guerrilheira como tantos, cheia de mistérios por contar.

Afinaram-se as curvas na Serra da Leba, que insiste em marcar encontros sucessivos, num infindável namoro, com o deserto do Namibe. Aprofundaram- se os espantos na Tundavala, e percebi que o que precisava mesmo era de Pululukwa (descanso, em Umbundu) na natureza.

A Restinga do Lobito, tão bonita (assim a cantaram Yola Semedo e Paulo Flores) mostrou-me a nobreza de outros tempos, imponência arquitectónica, beira-mar azul, aura de Rainha.

Cresceu o gosto pela vida no mar. Valorizo, ainda mais agora, aquele primeiro mergulho que lava o corpo e a alma, em Cabo Ledo, retiro ainda em estado (quase) selvagem, cura para qualquer maleita, salvador da pátria. E antes disso, paisagens lunares de ver e querer ver mais, mangais no Rio Kwanza, a Costa infindável, quase virgem, com promessas de ondas vindas do lado do coração.

Venerei o final de tarde no Mussulo, bola de fogo a entrar no mar, o meu momento preferido do dia, porque ainda se vive o que foi e há já a promessa do que virá.

Vibrei com a gargalhada quente dos angolanos, aquela que resume o conceito de lar.

Por Angola, a intenção é de resgate dos valores da tradição e cultura, para que haja mais País. Para que possamos escrever a história, a partir de agora, com tinta colorida, como as usadas nas vestes dos bailarinos Tchokwe.

Cresci, por pensar e querer enveredar por novos caminhos e novas vontades, fiz malabarismos psicológicos que ainda não consegui perceber se me transportaram para um estádio diferente da minha evolução pessoal.

Hoje, sou um pouco mais de mim e agarro-me à beleza da jornada.

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*Texto publicado na Coluna Pessoal da Revista Rotas & Sabores, n.º 3, de Junho | Julho, onde a autora passará a assinar uma crónica, já a partir do próximo número.

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Já a partir da próxima edição, o The Alexe Affair vai iniciar uma colaboração com a Revista Rotas & Sabores.
Primeiro, na coluna “Pessoal”, e nas edições seguintes, com uma coluna especialmente criada para que eu possa partilhar vivências, experiências e sensações com os leitores.
A Revista, que se assume como um veículo de divulgação do potencial turístico do país e como o espelho do que é nacional, sem descurar a necessidade de transpor fronteiras e de trazer o que de melhor há a nível internacional, retrata, edição após edição, o charme e as maravilhas de Angola.
Tal como o The Alexe Affair, é um espaço de Cultura, viagens e lifestyle.
Embarque connosco nesta aventura.

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