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Monthly Archives: September 2015

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Considerado o Umbigo do Mundo pelos Incas, por ser o centro do seu império.

Uma civilização que existiu de 1100 dc a1532, tão brilhante quanto destemida, na verdade uma mescla de todas as civilizações que a antecederam.

Tem 500.000 pessoas e situa-se a 3400 mt de altura em relação ao nível do mar.

Fizemos um switch completo em relação a Lima…em termos de altitude, clima (aqui muito mais instável) e paisagem…muito verde,montanhosa, um cenário idílico carregado de cultura que nos fez literalmente viajar no tempo.

São inúmeras as recomendações à chegada…descanso, refeições ligeiras (à base de sopa de quinoa) e… chá de coca. Muito chá de coca.

E começa o périplo pelos monumentos Incas, estoicamente em pé até aos dias de hoje, devido à engenharia Inca e à sua reverência e respeito pela Pachamama (Terra Mãe), bem como ao conhecimento de todos os elementos que a compõem, que os levaram a construir paredes robustas ligeiramente inclinadas, em trapézio, anti-sísmicas, que não cedem ao passar do tempo.

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Qurikancha, o templo do sol do Deus Inca Wiracocha, foi o primeiro monumento a ser visitado, seguido da Catedral de Qozco, de 1600 dc, com o seu Taitacha de Los Tremboles.

Por todo o lado verdadeiras maravilhas construídas pelo homem: Saqseguaman (centro administrativo e religioso), Ollantaytambo, o mercado de Pisaq e o delicioso pão cusqueño, a prata local e os tecidos de lã de Alpaca… e ainda os plácidos Lama, os passeios aventura pela natureza (trekking, canoagem, alpinismo, equitação) e uma beleza natural incomparável e diversa são ingredientes que fazem com que este seja um destino acima da média…

Três horas de comboio separavam-nos de Águas Calientes, a pequena vila próxima de Machu Picchu. Era o nosso destino final, aquele por que aguardamos durante toda a viagem.

Machu Picchu (montanha antiga) – conhecido como o El Dorado – foi cientificamente descoberto em 1911 pelo americano Hiram Bingham.

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O santuário, que albergava cerca de 500 pessoas (as consideradas mais inteligentes), mantém a forma original, na sua maioria, não tendo sido conspurcado durante a invasão espanhola, por desconhecerem a sua existência.

É um dos locais mais visitados do Mundo (recebe até 5.000 pessoas por dia nos meses de maior afluência) e era considerado pelos Incas um lugar sagrado, escolhido meticulosamente pela sua localização privilegiada, excelente para a observação astronômica, para além de ter uma energia peculiar, que sentimos pairar no ar.

De regresso a Qozco, já com uma ponta de nostalgia e um certo clima de despedida a querer instalar-se, o Restaurante escolhido foi o Inka, onde tive uma das melhores experiências gastronómicas enquanto no Perú.

Última noite em Lima. No dia seguinte voltaríamos a casa. Já não éramos os mesmos. “La Dama Juana”, restaurante tradicional com show folclórico, fez-nos bailar e no Ayahuasca Restobar, um dos dez melhores bares do Mundo, tornámos a brindar, desta vez, pelo retorno a este país que nos proporcionou de facto uma experiência mágica.

Valeu a pena mergulhar nesta cultura milenar que nos fez ganhar tanto.

Achava eu que o “tema” Perú ficaria encerrado nesta viagem.

Enganei-me redondamente. Ficou tanto por ver.

Não pudemos visitar o Lago Titicaca, Arequipa, a floresta da Amazónia nem vislumbrar as ondas esquerdas mais longas do Mundo, em Chicama.

Por isso, teremos de voltar.

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Sulpaiqui, Perú.

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*Texto publicado na Revista Rotas & Sabores, 2015.

 

 

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Dos 30 milhões de Peruanos, 11 milhões vivem em Lima. A cidade tem 43 distritos, muitos diferentes entre si. A bonita Miraflores sem dúvida que não nos ficou indiferente.

Ficámos hospedados no simpático hotel Dazzler, em plena Miraflores, que se revelou a base perfeita para os restantes pontos turísticos da cidade.

Uma chegada brindada com Cerveza Cusqueña, com vista para a praia. Sabia a férias.

E eis que, logo na primeira noite, nos é apresentada a internacionalmente afamada cozinha Peruana. O “Señorio de Sulco”, no Malecon de Miraflores, foi o ponto de partida para esta viagem dos sentidos, em que o paladar foi claramente o mais privilegiado. Iniciei a noite com um pisco sauer de maracujá, o meu favorito.

Desde que o chef Gastón Acurio, considerado o Embaixador da cozinha Peruana, elevou os ingredientes usados tradicionalmente no Perú, até então considerados demasiado humildes, ao estatuto de cozinha gourmet, que todo um movimento de orgulho nacional ligado à gastronomia (mas não só) se gerou, dando origem a uma das cozinhas mais conceituadas do Mundo.

Dos 400 pratos típicos existentes no Perú, que se podem experimentar no Festival gastronómico anual “Mistura”, o meu favorito é, sem dúvida, o delicado Ceviche, que me encantou tanto quanto a melhor sandes de Leitão que já experimentei na vida, a da sandwicheria criolla “La lucha”.

Dia de sol em Lima.

Esta cidade sísmica tem duas placas tectónicas, facto que influenciou a arquitectura local, em geral marcada por edifícios baixos.

Se a periferia lembra os arredores de São Paulo, o centro histórico tem o charme da Espanha colonial.

O centro de Lima, também considerado património mundial, é feito de história.

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E também de gentes. Rostos que denunciam misturas de etnias várias, longos cabelos lisos cor de azeviche, largos sorrisos em rostos de tez morena e uma simpatia inestimável.

É assim que recordo os Peruanos.

Existem mais de 300 huacas em Lima, da época pré Inca, com cerca de 5000 anos de existência. Uma espécie de pirâmide (sólida, sem galerias) usada antigamente como local de adoração aos Deuses.

O seu valor enquanto património histórico é relativamente recente – há ainda quem se recorde de as ter usado como local de brincadeiras durante a infância – mas são agora protegidas como património cultural da Humanidade, o que não impede os Peruanos de tirar o melhor proveito da sua localização…um dos bares / restaurantes mais bonitos (e mágicos!) que conheci fica na Huaca Puclliana, que recomendo imensamente.

O Distrito de San Isidro, elegante centro financeiro de Lima, também merece um passeio, bem como o Parque de La Reserva, um circuito mágico de fontes luminosas (com o jorro mais alto do mundo – 80 mt de altura) com 8 hectares, projectado pelo arquitecto francês Claude Sahut e que contém imensas esculturas de artistas peruanos.

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Chegados a Casa da Literatura, sita na antiga Estación de Desamparados, sorrio ao relembrar o livro autobiográfico “A Tia Júlia e o Escrevedor”, de Vargas Llosa, e por pensar que tanto daquela paisagem inspirou os seus textos.

Passámos pelo Parque de La Exposition, pelo Museu de Arte de Lima, pelo Palácio da Justiça e Palácio Francês, o grande Hotel Bolívar prendeu a nossa atenção, bem como o teatro Colón – o primeiro teatro de Lima – e arrepiámo-nos nas catacumbas da Catedral de San Francisco, com milhares de ossos humanos para “visitar”.

Descobrimos inclusive inúmeras referências a Maria Angola…uma escrava de Angola que se casou com um espanhol, após ser liberta, e herdou uma grande herança. A história de um país a cruzar-se com a de outro. Por isso gosto tanto de viajar.

A Plaza Mayor requer atenção redobrada por estar rodeada de edifícios lindíssimos, mas também porque possui uma fonte que nada teria de extraordinário, não fosse pelo facto de jorrar aguardente de pisco, ao invés de água, durante 3 horas, no último dia de Julho de cada ano. Se até agora não via motivos para visitar Lima, cá está mais um incentivo!

Nenhuma visita cultural a Lima pode estar terminada sem passar pelo impressionante Museu do Larco (com um restaurante imperdível), um museu privado que guarda os tesouros do antigo Perú, e que é a porta de entrada para a Cultura Inca, mote perfeito para o nosso destino seguinte: Qozco.

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*Texto publicado na Revista Rotas & Sabores, 2015.

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Ir ao Perú não era, necessariamente, um sonho de infância.

Existiu desde sempre um encanto pela América Latina, é certo, por razões históricas, musicais, “novelísticas” ou mesmo vínicas, mas este país com “vizinhança de luxo” não era de facto uma prioridade na minha lista de lugares a visitar.

E eis que entra um Peruano nas nossas vidas. Lá estão os afectos a trocar-nos as voltas e a fazer com que, repentinamente, este fosse (agora sim!) um local que estávamos desertos por conhecer.

Dezembro de 2014. A tão esperada viagem de fim de ano. Doze pessoas e um bebé. Daria um filme.

De Luanda, o trajecto mais directo para Lima é via São Paulo.

Expectativas? Poucas, na verdade. O Perú não nos tinha feito promessas.

Mas será que não? Vamos lá recuar um pouco…

É o país do escritor Mario Vargas Llosa, há anos um favorito.

Também é o berço da cultura milenar Inca, cujos feitos ainda hoje intrigam os estudiosos. Tem diversos locais considerados património da Humanidade pela Unesco (18 no total), mais de 28 climas, e foi eleito o 1. º destino gastronómico de 2014 pelos World Travel Awards…um país com uma cultura fortíssima, gastronomia de chorar por mais, música com influência de todos os cantos do Mundo e natureza viva (praias, floresta, lagos e montanhas)…parece-me agora que todas as promessas tinham, afinal, sido feitas.

Ainda sob o efeito do jet lag, fico deveras intrigada com um cartaz, logo à chegada, que dizia: “Bienvenido a una experiencia mágica. Bienvenido a Perú.”

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Pura provocação. Foi a minha primeira foto, ainda no aeroporto.

Parece que o slogan para esta viagem poderia ser, também: “ Perú. Sempre a subir”, porque a nossa curiosidade subia de tom a cada minuto, qual valsa peruana.

É o 3.º país do Mundo em riquezas minerais e o 6.º produtor de ouro, situando-se logo a seguir o Turismo (pudemos perceber porquê!) e a Agricultura como as maiores fontes de riqueza…tem cerca de 3 mil qualidades de batata e mais de 200 tipos de milho, e orgulhosamente ostenta influências incas, europeias, africanas, asiáticas…

“Ingredientes” mais do que suficientes para uma experiência mágica.

Lima vem já a seguir.

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*Texto publicado na Revista Rotas & Sabores.

The Namib Desert’s main characteristic is its inability to leave anyone indifferent.

I can’t say this any other way.

The fascination seems to start in the imagination of those who wish to know it.

At least, that is how it happened.

As soon as we arrived and before we entered the desert, we wanted to explore the town of Namibe.

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Peaceful, by the sea, it is difficult to believe that it is surrounded only by desert and sea. It preserves some imposing colonial buildings, with a highlight on the vintage Cine-Estúdio, an architectural work signed by Botelho de Vasconcelos, a futuristic building never completed, possibly from the 1960s, whose first impression reminds one of Oscar Niemeyer. Creative times.

We wanted to try right away, on the spot, the tasty crab from Namibe.

It tasted like the sea. It had the taste of the desired arrivals. Finally.

The food is inexorably linked to sensations that last from wherever we have been happy.

Namibe, whose name has its origins in the local-language word namib, means «vast place». The desert is indeed a gigantic 80,900 km2, extending for 1600 km along the Atlantic coast of southern Angola down through southern Namibia.

We entered the desert late at night, unable to rely on our sight. We used our hearing because we heard the beat of the waves, and our sense of smell because we could smell the sea, and our imagination, irrigated with adrenaline, took us beyond the next dune.

The lack of sight heightens the imagination, and the desert was that which imagination dictated.

We arrived at Flamingo Lodge, where we would stay for a few days.

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Completely isolated, it has a ‘roots’ but comfortable environment that everywhere in the middle of the desert sought out by surfers, sports fishermen or merely desert lovers should have.

Here, we feel time slow down…

At sunrise, we have an invigorating breakfast, looking at the sea, with our adrenaline rising, as we just want to hit the road.

Will we see a wave that is 3 km long? And seals, dolphins and whales? Beaches with sand dyed purple by seaweed?

And this time (again), last night’s over-active imagination lives up to the reality.

The jeep drives along the shore, playing with the water, seagulls flying all around us, crying, as excited as we are, and I knew, there, at that exact moment, the taste of freedom.

We found the Vanesa Seafood wreck, stranded an immeasurable time ago, reminding us that all that desert had once been sea.

And the dunes…

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The dunes were everything we had been promised. Fine golden sand, undulating so perfectly that they seem to have been styled the night before by a patient stylist whose function was attributed to him centuries before.

I sigh.

How does so much nothing form an empire of sand, and allow unique landscapes, nothing equal to the earlier ones?

We became lost looking around, without being able to contain the astonishment and the smiles, dazzled by the sun shining on the sand and by the blue sky, clearer than anywhere else.

The Canyon seemed to me the perfect place for an opera in the middle of the desert, but I don’t know if the sand mounds, like monumental rocks, would support the intensity of an aria.

The Arc, an oasis in the desert, contains three lakes, the middle one the most famous, the existence of naturally formed arcs in the sandstone giving this heavenly place its name.

At the time without water, completely dry, a plaque indicating that diving is prohibited challenges the limits of our imagination.

We have to return, we promise, to see the lake and, who knows, to make a prohibited dive on a night with a full moon.

Time does not slow down. It goes on, indifferent.

With a heart full of so much desert, I find myself back at my desk, looking through the window. Skin tanned from the desert sun, remnants of sand in my luggage, more tales to tell, I smile, happy in the knowledge that there is still much more to live, and to discover.

May there be time, always.

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assinatura*Text first published in Espiral do Tempo Magazine.

*Photography: Mauro Motty

There is something very special about small-town airports.

Land in the middle of the runway, alight right there, using your own feet, without a sleeve or van, always seems to me to be an adventure.

A huge rainbow covers one side of the runway and appears to welcome visitors to the town of Lubango.

Lubango was given municipal status in 1923 and was once nicknamed «Garden of Angola». Over the years it has suffered but it has strived to preserve the dignity of times gone by.

It still preserves all its natural inspiring beauty (such is a green environment!), with waterfalls, hills, wide plains, giant fissures, a winding road that leads to the desert, all blessed by Christ the King who observes from on high with a complacent air.

One drive around the town and its surroundings is all it takes to see that we are in another dimension, and that we have gone from a temporal dictatorship to another, being this one a much pleasanter regime.

Fenda da Tundavala

We had a set destination: The Rest.

«Pululukwa» means «rest» in Umbundo, a national language, and it is a resort located in the outskirts of Lubango, though it could be located anywhere in the world, such is the eclecticism it shows, and which gives it an international aura.

With a rustic but refined decoration, its ‘villages’ remind one both of Madeira (yes, the Portuguese archipelago) and of a kimbo[1] in southern Angola.

Decorated with items from Thailand and other exotic places, with South-African ceilings suggestive of cosiness, yet always with Angolan features strongly present…and with so many other small details that make a big difference. As do the attention and open smiles that greet us. And the homemade sweets made from local fruit.

And how can we not rest when all around us is the maudlin murmur of running water, the smell of ripe guavas from the trees at the entrance to the chalets, even at arm’s length, to feed idleness, and a restaurant whose menu is flexible to the whims of the seasons and which makes a point of having, as guests of honour, the delicacies of Lubango. So don’t be surprised if the delicious local meat comes with fuchsias, or if the soft drink is a snow cone of just-picked guava.

And imagine waking with zebras at your window.

All this is Pululukwa.

The tour of Lubango the next day confirmed all yesterday’s expectations.

We saw the Huíla and Hunguéria waterfalls that demanded joyous dips, Our Lady of the Mountain (“Nossa Senhora do Monte”) with her dual function of confession and belvedere, with a view over the town, the deep Tundavala Fissure so unique and enigmatic that it surely hides the answers to many of the mysteries of humanity, the Serra de Chela that, as in Rio de Janeiro and Lisbon, is crowned with Christ the King, we tasted Lubango strawberries, the country’s most famous, and we couldn’t fail to taste the local sausage.

A real trip of the senses.

After quenching our thirst with water from the river, we heard the mujimbo[2] that the restaurant Kimbo do Soba was ready to receive us. This restaurant specialises in game meat galloping to the grill: boar, oryx, kudu…and crocodile!

Surprising Lubango.

But it is time to leave…

Serra da Leba

We decide to follow the Hermenegildo Capelo and Roberto Ivens route in the direction of the Coast.

We are speechless before the sunset…that promised African sunset, huge, yellow, orange, red, all the hues, coming down the marvellous, curvy, feminine and stunning Serra da Leba, which insists on successive meetings in an unending courtship with the Namib Desert.

Namibe will follow.

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[1] Kimbo — village, hamlet.

 

[2] Mujimbo — news item generally unsubstantiated and anonymous, spread publically; rumour, gossip.

 

*Text first published in Espiral do Tempo Magazine, edition 51.

*Photography: Bernardo Gramaxo.

It’s hot, traffic is heavy and the clock is ticking, noisily dictating with every passing minute the tyranny of time.

Everyday life in Luanda is very intense…

Sitting at my desk, I count the minutes (the seconds, perhaps) before leaving for the airport and heading for my chosen destination. Another Angola, so different from the one I see from the window, with glass, concrete and stainless steel bisecting the view of the sea.

Luanda is pretty, even so.

Luanda

But…there is the green of Lubango…and the dunes of the Namib Desert.

Other destinations wait for us.

From where I stand, my destination seems to be as close as it is far away, inexplicable sensations that seem ethereal because they are very different realities.

Still in Angola but leaving behind such everyday sensations, because we are in fact leaving a comfort zone that is not always comfortable, and because for the animals of the concrete jungle that we are, the most natural environment can seem the most harsh.

But we are so wrong…

The appeal of discovery is greater than any fatigue or fear. It is time to discover.

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I frequently question myself, during this phase that I consider as my (re)discovery of Angola, whether we are (re)discovering the country or if it is the country that is being (re)discovered, allowing us to rediscover ourselves in unheard-of scenarios.

Who, therefore, is the active subject in this sentence structure?

And also because, in a time that is different from the time of today (seems redundant? Those who live in Angola know it is not), knowing the country appeared to be a Herculean task, because of that time.

This discovery I am talking about is after all a learning process.

Lubango will follow.

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*Text first published in Espiral do Tempo magazine, Edition 51

*Photographies of Bernardo Gramaxo e Mauro Motty

 

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