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Monthly Archives: October 2015

Casa da Criança

A CASA DA CRIANÇA é um lar que alberga meninos de várias idades.

É uma instituição fidedigna, gerida pela Irmã Domingas, que zela o melhor possível por estas crianças e jovens.

Nos dias 24 e 25 de Outubro de 2015, dois grupos de pessoas deslocaram-se ao lar, no intuito de os conhecer, apadrinhá-los, deixar donativos e fazer um levantamento das suas maiores necessidades, sendo que, infelizmente, não obstante o excelente trabalho e enorme esforço até agora empreendido, o Lar tem carência de praticamente tudo.

Disponibilizamos aqui a informação recolhida:
População
Total de crianças apoiadas pelo lar = 94
• Idades compreendidas entre os 2 e os 23
• 74 residentes

Principais dificuldades
• Sem registo (Conservatória de Registo Civil) as crianças não podem ser matriculadas nas Escolas da área (estudam na escola criada pela Irmã, que carece de licenciamento);
• Integração no mercado de trabalho para jovens maiores de 18 anos, principalmente mulheres;
• Espaço/ condições – 1 cama para cada 2 ou 3 crianças, gerando stress e ansiedade.
Principais necessidades
Comida:
• Perecíveis – frutas, legumes, frescos, manteiga, etc
• Não Perecíveis – conservas, enlatados (atum, salsichas)
Higiene:
• Fraldas (para crianças de até 3 anos de idade)
• Resguardos para camas
• Escovas, pasta de dentes
• Sabonetes, shampoo
• Pensos Higiénicos
• Baldes com tampa/ bacios
Limpeza:
• Baldes
• Detergentes – loiça, roupa, chão, WC, etc
Saúde:
• Mosquiteiros
• Dragão/ repelente/ sheltox
Material Escolar
• Mochilas
• Cadernos, canetas, lápis, cadernos, canetas, lápis, borrachas, etc
• Cacifos para material escolar (para colocar na Sala de estudo)
Quartos:
• Lençóis
• Toalhas
Refeitório:
• Mesas e cadeiras
• Loiça inox e talheres
• Cubas para servir a comida, panelas XXL
• Colheres e conchas grandes para servir a comida
• Fogão
Outros:
• Botijas de gás
• Combustível para gerador
• Manutenção e combustível para duas viaturas Toyota
• Manutenção Filtros de água

Caso tenham interesse em contribuir para a melhoria das condições de vida destas crianças e jovens, fazendo donativos ou apadrinhando alguma(s) dela(s), por favor anotem os contactos infra:

MORADA:
Km 37 da Estrada de Viana
(perto da Igreja Universal do Reino de Deus)
Após chegada a este local, contactar a Casa da Criança.
CONTACTOS:
Irmã Domingas
+244 923525310
+244 912201288
ocsiorg@yahoo.com.br

Contamos com a vossa colaboração, na certeza de que ao ajudar uma criança a estudar saberão que fizeram a diferença na vida dessa criança e que lhe deram uma oportunidade única: ajudaram a construir um ser humano dignificado.
Agradecendo muito o vosso apoio,
Paz e bem
Irmã Domingas

Partilhem, ajudem, sejam solidários com esta causa.

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Desde 2013, percorrer Angola tem sido um objetivo pessoal, como se fosse necessário – quase urgente – palmilhar cada centímetro do país.

Não o consigo explicar… há uma força quase sobrenatural que me compele a querer conhecer cada grão de areia vermelha, cada embondeiro plantado à beira dos caminhos, com largura massiva quase delgada, de tão elegante, e cada gotícula de água desta infindável e inexplorada costa.

O mar…

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Confesso que ele tem ditado as regras dos meus passos, e definido que locais serão, na próxima viagem, por mim visitados.

Num país com mais natureza virgem do que cidades industrializadas, é no meio da natureza que nós, os luandenses, nos refugiamos de tudo aquilo que carateriza a vida na cidade… numa palavra, do tão temido stress.

Sou uma apaixonada confessa de viagens de carro, em que tudo está literalmente nas nossas mãos: a escolha da viatura adequada para o passeio, quem será o companheiro sentado ao nosso lado, que paragens faremos, a que velocidade seguiremos, que caminhos escolhemos, que sons, que paisagens…

É preciso que tudo funcione como um relógio, e que os nossos motores – o nosso coração, o do carro, o do próprio relógio – não falhem. Nunca.

Se olharmos com a devida atenção – naqueles momentos em que as roldanas à nossa volta desaceleram um pouco –, há uma ligação inexorável entre os motores que dão movimento à nossa vida.

O movimento de um relógio pode ser comparado ao motor de um carro, que necessita de lubrificação, limpeza e ajustes regulares. Se o sistema se imobilizar, haverá atrito entre as peças, inutilizando, em pouco tempo, todo o sistema.

Ora, não funciona, de igual forma, o coração? Não é verdade que parar, não alimentar, não se extasiar, deixar de querer conhecer… é de alguma forma morrer?

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O próximo destino seria o Zaire.

Situada a noroeste de Angola, a província do Zaire tem-se, ao longo dos anos, pouco ou nada desenvolvido no que respeita ao turismo. Não tem infraestruturas capazes, é pouco explorada, os guias turísticos que pudemos consultar não conseguiam despertar em nós o bichinho da curiosidade… Então, por que lá ir?

Bom, na verdade havia um motivo. Era mais um segredo. Talvez até uma joia rara.

Pronto, era um motivo, apenas, mas tão singelo, enorme na sua singularidade, que nos fazia quase tremer de excitação. Porque não interessava apenas o que íamos lá encontrar. Toda a jornada até ao destino escolhido valeria por si. «Adventure is worthwhile in itself», como bem disse Amelia Earhart.

A busca pela Onda perfeita. Assim mesmo, com letra maiúscula, como se fosse uma senhora importante.

A busca por ondas nunca antes surfadas.

Desde que o projeto de realização do primeiro filme de surf em Angola começou a tomar forma, esta busca tornou-se incessante. Angola deixou de ser um país quase quadrado no mapa pendurado na parede. Percebemos que este desporto, que é mais uma forma de vida, uma terapia, uma ligação à natureza, um amor talvez, poderá vir a ser o motor do turismo em Angola. Então, por tudo isto, não podemos mais parar.

Eu e os meus companheiros de viagem sentimo-nos, por isso, conquistadores de tesouros formados por água, vento e encostas perfeitamente desenhadas para proporcionar o swell perfeito para surfar.

Nessa viagem, levados pela estrada que seguia rumo a norte, procurávamos o nosso norte em uníssono, com os motores – todos eles – em compasso perfeito.

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Pelo caminho, sorria. Só me conseguia lembrar, com carinho, de Manuel Rui Monteiro e do romance Quem me dera ser onda. Teríamos nós direito ao nosso «Carnaval da Vitória»? Estórias de meninice, que voltam sempre, como a brisa do mar.

A Barra do Dande: o encontro do rio com o mar. Um breve desvio para subir a encosta e apreciar a paisagem. Um local estranhamente silencioso, tão perto da azáfama luandense que deixáramos há escassos minutos. Histórias que se entrecruzam com a nossa. A da mulher deixada só com os filhos, que controlava o farol com olhos de lince, e que mantinha a sua horta no terreno outrora minado. A do militar responsável pela desminagem daquele território, e que trazia a esperança no olhar. Motores de desenvolvimento de um país.

Seguimos viagem. Admirar a costa pela esquerda era uma novidade. Mar, rio e encosta verdejante. Ambriz trouxe-nos promessas que nos deram esperança. Sim, há quem tenha surfado ali, conta-se. O nosso motor nunca parou.

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A nossa busca era imparável, por terrenos sem trilho, em que parecíamos ser os primeiros a chegar. Mais do que procurar ondas, acabamos por descobrir caminhos. A dúvida de saber se o carro passaria ou não, se a areia seria suficientemente firme, se aquela ponte colonial seria ainda segura, se o Soba nos concederia o favor de passar… há poucas coisas que se assemelham ao desbravar do próprio caminho.

E o Zaire…finalmente.

A sua capital, M’banza Congo, foi a capital do antigo reino do Congo, e toda essa proximidade com o país vizinho faz com que esta província e os seus habitantes tenham caraterísticas sui generis.

A região, rica em recursos naturais, tem praias ladeadas por savana e floresta densa e húmida, com madeiras de alto valor, como o pau-preto.

Mas o mais entusiasmante no meio da paisagem é a existência de rochas ao longo do caminho, embutidas nos montes, dispostas de forma ornamental, como que em exibição, para serem apreciadas. Uma verdadeira Stonehenge angolana.

Encontrámos, na vila piscatória do N’zeto, exatamente o que procurávamos.

Já não era uma promessa, era a concretização. Era uma das poucas praias surfáveis a norte de Angola, o que a torna muito especial.

Famílias de pescadores puxavam a rede, com esforço, mas sempre com aquele inexplicável sorriso de quem vive com pouco.

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Miúdos faziam skimming e saltos mortais à beira-mar.

Estávamos cansados, transpirados, e só o peixe grelhado acabado de apanhar e uma Cuca fresquinha conseguiu apaziguar os quilómetros percorridos. Partilhávamos o inexplicável sorriso dos pescadores. Já tínhamos sido contagiados.

E aquela Onda…

Soubemos, ali mesmo, que o mar era o motor que criava vida.

 

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*Crónica originalmente publicada no número 52 da Revista Espiral do Tempo, sujeito ao acordo ortográfico em vigor em Portugal.

** Fotografias de Rui Sérgio Afonso e Mauro Motty, durante viagens por Angola com a The Art Affair e a The Takes.

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A edição de Outono da Espiral do Tempo está com os “Motores” afinados.

Desafiada a acelerar os meus motores por Angola, com a The Takes e a The Art Affair, a busca pela “Onda perfeita” serviu de mote para, uma vez mais, partir à descoberta.

Desta vez, o Zaire está em destaque.

Com fotografias de Sérgio Afonso e Mauro Motty, o texto será publicado brevemente no The Alexe Affair.

Espiral do Tempo - MotoresET52_Alexe

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