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Monthly Archives: January 2016

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E assim fiquei em 1936. Em Bali.

«Não consigo encontrar voos nesse dia, Natacha!» O meu contacto na agência de viagens a dizer-me que teria de sair de Bali um dia mais cedo do que queria. Estava longe de saber que Bali se preparava para a passagem de ano (ainda me encontrava em 1936 e nem isso sabia!) e que sairia da ilha em plena véspera de réveillon!

O aeroporto estava a abarrotar, os bares e restaurantes sem mãos a medir, pessoas sentadas, deitadas no chão, encostadas onde fosse possível. À primeira vista, poderia parecer um cenário atribulado, de guerra ou de fuga, não fosse o ar feliz de toda a gente à minha volta. Sorrio… “Devem ter tido umas férias tão boas como as minhas”. Mas será que estão todos com a mesma pena que eu? Primeiro, de não entrar em 1937; segundo, de não passar o chamado “Silent Day”/Nyepi em Bali… (em que nem locais nem turistas podem sair de casa/hotéis e em que as comunicações, os transportes e os serviços param por 24horas) e por fim, simplesmente de deixar a ilha que tão bem me acolheu nestas últimas semanas.

Saí com a leveza própria de quem sabe que irá voltar um dia, e comecei logo a ponderar se o próximo ano seria muito cedo ou demasiado tarde… é que Bali tem facetas para todos os gostos e eu não vi nem metade.

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Poderia ter andado a saltitar de cidade em cidade a cada dois dias mas fiquei tão cativada por Ubud, a minha primeira paragem – no interior da ilha, que os dois dias que ia lá passar originalmente rapidamente se transformaram em seis, dada a simpatia das pessoas do homestay onde fiquei alojada, a facilidade de fazer passeios de um dia para outros locais de interesse, o astral positivo (muito virado para o bem-estar, para a prática da meditação e de yoga) e claro, pela natureza verdejante. Ubud foi uma agradável surpresa e a cidade que mais gostei das três que visitei em Bali. Acordar, tomar um pequeno-almoço delicioso, sair para dar uma volta e pelo caminho ir sentindo o cheirinho dos incensos que, com arroz cozinhado, flores e fruta, compõem as oferendas aos Deuses diariamente colocadas nos templos, no chão, em escadas, junto a estátuas, a árvores, por todo o lado. Sorrir e receber sorrisos em jeito de “Bom dia” de todos os que passam por nós na rua.

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Ubud transmite mesmo uma energia e uma boa disposição, uma vontade imensa de viver o presente, de ser feliz e de agradecer os pequenos gestos da vida.

Não quero que a descrição acima induza futuros visitantes em erro: Ubud é zen mas tem imensa azáfama! As inúmeras scooters que transportam mais pessoas e bens que o habitual, os taxistas que de meio em meio metro perguntam se precisamos de transporte e os turistas que só vêm passar o dia e andam muito rápido para fazer render o tempo que têm, parando ocasionalmente para uma selfie de grupo. Isto é mais visível nas ruas principais (não mais que três) e é fácil fugir por uma rua mais pequena para estar de volta à tranquilidade. Assim acaba-se inevitavelmente por descobrir novos caminhos, estúdios de yoga, cafezinhos amorosos, supermercados vegan, spas, templos que nem estão nos guias e… warungs!

Os warungs são restaurantes tradicionais, muitos geridos por famílias, cuja especialidade é comida balinesa, embora muitos sirvam igualmente opções mais ocidentais. Dos quitutes típicos vale a pena experimentar o Nasi Goreng (um prato de arroz frito com legumes e/ou frango), simplesmente divinal ou o Gado-gado (com molho de amendoim).

Das várias actividades que Ubud oferece, vale muito a pena assistir aos shows locais ao início da noite. Vi o mais popular – Kecak with fire, uma dança meio em tom de ritual meio em tom de teatro, que tal como o nome indica, envolve fogo (e mais não digo para não arruinar o efeito surpresa!).

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Só consegui conceber a saída de Ubud porque o destino seguinte envolvia praia. Evitando a todo o custo a costa mais popular, a Oeste – onde ficam as cidades de Kuta e Seminyak, saí de Ubud para Sanur, um dos portos principais da ilha, de onde saem os barcos para a ilha Nusa Lembongan, as Ilhas Gilli em Lombok, entre outros destinos. A viagem de Sanur para Nusa Lembongan foi feita da forma mais típica possível – num barco de carga (carinhosamente apelidado de Public Slow Boat) – que faz uma travessia morosa de cerca de uma hora e meia. Estes barcos são utilizados para levarem mantimentos para a ilha, pelo que é normal os passageiros irem acomodados entre garrafões de água, caixas de comida e bebida – uma experiência caricata!

Chegando a Nusa Lembonghan o mais fácil é alugar uma scooter ou ter confiança num dos mototaxis locais para andar pela ilha. Muito virada para os desportos náuticos, na maioria das praias o mar é bastante agitado, não tão convidativo a quem apenas quer apanhar sol e dar uns mergulhos descontraídos. Foi assim que, ao descobrir a Dream Beach, uma praia meio escondida e paradisíaca, senti-me extremamente feliz e esta se tornou a minha praia de eleição na ilha.

Suspiro ao pensar nestes dias tão bem passados… cheios de novas experiências que muito alargaram os meus horizontes. Escrevo agradecida por esta ter sido a minha primeira viagem à Ásia – que seja a primeira de muitas!

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Terima kasih Bali!

Natacha Gomes

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