Archive

City

Partimos para Florença.

Uma mudança abrupta de cenário e de indumentária, mas um deslumbramento igualmente grande. Uma cidade cujo centro é perfeitamente percorrível a pé, em que as maravilhas históricas se sucedem, à distância de alguns metros apenas.

Os edifícios respiram história e cultura, e temos a certeza de que, há 500 anos, a aura da cidade seria bastante semelhante.

IMG_2168

O Duomo deixa-nos literalmente de pescoço torto ao tentarmos abranger com o olhar toda a sua magnitude, e é de facto um prazer fazê-lo, por dentro e por fora.

A não perder, a Ponte Vecchia, a Or San Michelle, o incontornável Palazzo Pitti, a Galeria Uffizi (e as imperdíveis obras de Botticelli), a Piazzale Michelangelo e o Forte Belvedere, para uma vista privilegiada sobre a cidade…e tanto, tanto mais, que o melhor será partir à descoberta, de preferência com um gelato artigianali em punho. Foi assim que descobrimos a tão pequenina quanto inesquecível Piazza Della Passera.

Para o típico aperitivo as nossas preferências foram o terraço do Hotel Excelsior (a vista sobre a cidade “fala-nos”) e o do Hotel Continental, o Santo Bevitore e a The Library, no borgo San Frediano.

A cidade também é profícua em restaurantes gastronomicamente elevados, tal como o Dà Sostanza, onde se deverá pedir ” bistecca e tortino di carciofi”. Supostamente o melhor bife da cidade.

A Toscana tinha muito mais para oferecer – San Gimignano, Siena, Chianti – mas, afinal, mais mergulhos esperavam por nós em Cinque Terre.

Cinque Terre, na Riviera Italiana, região da Ligúria, compreende cinco vilas: Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore.

IMG_2274

As suas colinas verdejantes à beira mar compõem o Parque Nacional das Cinque Terre, e são parte do Património Mundial da Unesco.

Têm um aspecto pitoresco, com casinhas centenárias muito coloridas, e é possível visitá-las a todas de barco, comboio…e para os mais aventureiros….a pé!

Área turística por excelência, a melhor opção será ficar hospedado em Monterrosso e de lá conhecer as outras vilas. In bocca al lupo!

A Itália a superar todas as nossas expectativas.

E pomo-nos mais uma vez na estrada, as paisagens que nos rodeiam sucessivamente a mudar, e é hora do reencontro com os amigos e de subir bem para Norte.

Paragem rápida em Milão – o Duomo e a Fundação Prada a não perder – e sem demoras, ainda mais a Norte, para Bormio, dizemos adeus ao Lago Di Como e vamos deslumbrar-nos com os montes verdes dos Alpes Italianos.

Italia Meravigliosa!

IMG_2383

Tome Nota

Como ir

De Luanda poderá voar com TAAG até Lisboa (preços a partir dos 170 mil Akz) e daí seguir num voo directo para Roma (existem várias companhias aéreas a fazer esta ligação com preços a partir dos 100 euros). Já em Itália, as viagens podem ser feitas de comboio, de carro e de barco.

Onde ficar

São inúmeros os hotéis que existem em todas as cidade de Itália e com os mais variados preços. Ainda assim, e em particular, sugerimos o Hotel Le Sirenuse, em Positano, na Costa Amalfitana.

Onde comer

Não deixe de provar a pizza Marguerita na L’Antica Pizzeria da Michele, em Nápoles; e o “bisteca” e tortino di carciofi no Trattoria Sostanza, que dizem ser o melhor bife da cidade de Florença. E, claro, o gelato artigianale (gelado artesanal), um dos ícones gastronómicos de Itália.

Cuidados a ter

Itália é muito visitada por turistas durante o Verão, por isso faça as suas reservas com bastante antecedência.

Imperdível

Capri! É mesmo uma pérola do Mediterrâneo.

assinatura

*Artigo originalmente publicado na Porta de Embarque da revista Rotas & Sabores.

 

IMG_1749

As férias de verão de 2015 foram inteiramente dedicadas ao dolce fare niente.

Tudo começou meses antes, com a preparação da viagem, que foi um verdadeiro período de degustação lento e saboroso, como se de uma belíssima pasta se tratasse…

Preparámo-nos, pois, para uma entrega completa aos prazeres sensoriais, que começou na aprendizagem da língua e foi terminar em flutes de prosecco, sem receio de ir parar ao inferno.

O programa era ambicioso e abrangia várias regiões italianas em apenas dez dias.

Ir para o Norte ou para o Sul?

Para a Costa ou para o Campo?

Chianti ou mar azul?

Madonna!

A Itália, esse país enorme que preenche todo o nosso imaginário veraneante…completamente ao dispor dos nossos desejos… mozzarella di Buffala, pasta, pizza, prosecco, gelati…um verdadeiro atentado ao pudor gastronómico.

Com o auxílio de amigos “locais”, lá conseguimos decidir o que visitar:

Roma – Nápoles – Costa Amalfitana – Capri – Florença – Cinque Terre – Milão – Alpes.

A única certeza que tínhamos era o início da viagem em Roma e o seu término em plenos Alpes para festejar um casamento ítalo-angolano.

IMG_1721

Roma recebeu-nos com um tempo magnífico.

Estávamos na segunda quinzena de Agosto e a cidade estava tranquila q.b., sem grandes multidões, o que é sempre agradável, mas com a desvantagem de ter alguns serviços fechados…alguns dos restaurantes e clubes recomendados estavam fechados, mas a verdade é que assim temos um pretexto para lá voltar muito em breve.

Fica, por isso, a nota: as férias são uma “instituição” em Itália, e o dolce fare niente um direito adquirido. Ninguém abdica delas, e é exactamente nessa altura que os italianos correm para beira-mar. convém, por isso, escolher cautelosamente, a melhor altura para visitar Itália,

Mas Roma lá estava, o tal “museu a céu aberto”, imponente como tão bem sabe ser.

Que cidade tão bonita!

(poderia ter usado outro adjectivo, mas por vezes a simplicidade das palavras sustenta a magnitude do sentimento).

Apetece passear a pé sem rumo, só a absorver a atmosfera.

IMG_1726

E foi o que fizemos, recém chegadas, os olhos ainda a habituarem-se ao cenário, meio sem acreditarmos que as tão desejadas férias tinham finalmente chegado.

Piazza Di spagna, com as suas longas escadarias com vista privilegiada, Via del Corso, Via Condotti, finalmente a Fontana di Trevi e (lugar comum?), entramos de repente na Dolce Vita de Fellini, exactamente naquele lugar que imortalizou Anita Ekberg e Marcello Mastroianni.

E a doce caminhada continua…o Panteão, a Piazza Navona, perfeita para um flute de prosecco…

No Coliseu há encontros imediatos com gladiadores, e pela cidade um sem número de belezas cheias de história e Arte a que ninguém fica indiferente…Teatro de L’opera, Teatro de la Esposizione, Colonna Traiana…

O bairro de Trastevere foi o escolhido para uma bela jantarada perfumada a Chianti, onde recebemos o melhor conselho das nossas vidas, de uma sexagenária deliciosa, com uma história de vida incrível:

“Girls, be good. And if you can’t be good, be wise”

 …e num ápice (soube a tão pouco…) estávamos nós no comboio, rumo ao destino seguinte.

 

Em breve, a aventura continua…

assinatura

*Artigo originalmente publicado na Revista Rotas & Sabores.

photo-26

E assim fiquei em 1936. Em Bali.

«Não consigo encontrar voos nesse dia, Natacha!» O meu contacto na agência de viagens a dizer-me que teria de sair de Bali um dia mais cedo do que queria. Estava longe de saber que Bali se preparava para a passagem de ano (ainda me encontrava em 1936 e nem isso sabia!) e que sairia da ilha em plena véspera de réveillon!

O aeroporto estava a abarrotar, os bares e restaurantes sem mãos a medir, pessoas sentadas, deitadas no chão, encostadas onde fosse possível. À primeira vista, poderia parecer um cenário atribulado, de guerra ou de fuga, não fosse o ar feliz de toda a gente à minha volta. Sorrio… “Devem ter tido umas férias tão boas como as minhas”. Mas será que estão todos com a mesma pena que eu? Primeiro, de não entrar em 1937; segundo, de não passar o chamado “Silent Day”/Nyepi em Bali… (em que nem locais nem turistas podem sair de casa/hotéis e em que as comunicações, os transportes e os serviços param por 24horas) e por fim, simplesmente de deixar a ilha que tão bem me acolheu nestas últimas semanas.

Saí com a leveza própria de quem sabe que irá voltar um dia, e comecei logo a ponderar se o próximo ano seria muito cedo ou demasiado tarde… é que Bali tem facetas para todos os gostos e eu não vi nem metade.

L1000301

Poderia ter andado a saltitar de cidade em cidade a cada dois dias mas fiquei tão cativada por Ubud, a minha primeira paragem – no interior da ilha, que os dois dias que ia lá passar originalmente rapidamente se transformaram em seis, dada a simpatia das pessoas do homestay onde fiquei alojada, a facilidade de fazer passeios de um dia para outros locais de interesse, o astral positivo (muito virado para o bem-estar, para a prática da meditação e de yoga) e claro, pela natureza verdejante. Ubud foi uma agradável surpresa e a cidade que mais gostei das três que visitei em Bali. Acordar, tomar um pequeno-almoço delicioso, sair para dar uma volta e pelo caminho ir sentindo o cheirinho dos incensos que, com arroz cozinhado, flores e fruta, compõem as oferendas aos Deuses diariamente colocadas nos templos, no chão, em escadas, junto a estátuas, a árvores, por todo o lado. Sorrir e receber sorrisos em jeito de “Bom dia” de todos os que passam por nós na rua.

photo-25

Ubud transmite mesmo uma energia e uma boa disposição, uma vontade imensa de viver o presente, de ser feliz e de agradecer os pequenos gestos da vida.

Não quero que a descrição acima induza futuros visitantes em erro: Ubud é zen mas tem imensa azáfama! As inúmeras scooters que transportam mais pessoas e bens que o habitual, os taxistas que de meio em meio metro perguntam se precisamos de transporte e os turistas que só vêm passar o dia e andam muito rápido para fazer render o tempo que têm, parando ocasionalmente para uma selfie de grupo. Isto é mais visível nas ruas principais (não mais que três) e é fácil fugir por uma rua mais pequena para estar de volta à tranquilidade. Assim acaba-se inevitavelmente por descobrir novos caminhos, estúdios de yoga, cafezinhos amorosos, supermercados vegan, spas, templos que nem estão nos guias e… warungs!

Os warungs são restaurantes tradicionais, muitos geridos por famílias, cuja especialidade é comida balinesa, embora muitos sirvam igualmente opções mais ocidentais. Dos quitutes típicos vale a pena experimentar o Nasi Goreng (um prato de arroz frito com legumes e/ou frango), simplesmente divinal ou o Gado-gado (com molho de amendoim).

Das várias actividades que Ubud oferece, vale muito a pena assistir aos shows locais ao início da noite. Vi o mais popular – Kecak with fire, uma dança meio em tom de ritual meio em tom de teatro, que tal como o nome indica, envolve fogo (e mais não digo para não arruinar o efeito surpresa!).

L1000357

Só consegui conceber a saída de Ubud porque o destino seguinte envolvia praia. Evitando a todo o custo a costa mais popular, a Oeste – onde ficam as cidades de Kuta e Seminyak, saí de Ubud para Sanur, um dos portos principais da ilha, de onde saem os barcos para a ilha Nusa Lembongan, as Ilhas Gilli em Lombok, entre outros destinos. A viagem de Sanur para Nusa Lembongan foi feita da forma mais típica possível – num barco de carga (carinhosamente apelidado de Public Slow Boat) – que faz uma travessia morosa de cerca de uma hora e meia. Estes barcos são utilizados para levarem mantimentos para a ilha, pelo que é normal os passageiros irem acomodados entre garrafões de água, caixas de comida e bebida – uma experiência caricata!

Chegando a Nusa Lembonghan o mais fácil é alugar uma scooter ou ter confiança num dos mototaxis locais para andar pela ilha. Muito virada para os desportos náuticos, na maioria das praias o mar é bastante agitado, não tão convidativo a quem apenas quer apanhar sol e dar uns mergulhos descontraídos. Foi assim que, ao descobrir a Dream Beach, uma praia meio escondida e paradisíaca, senti-me extremamente feliz e esta se tornou a minha praia de eleição na ilha.

Suspiro ao pensar nestes dias tão bem passados… cheios de novas experiências que muito alargaram os meus horizontes. Escrevo agradecida por esta ter sido a minha primeira viagem à Ásia – que seja a primeira de muitas!

L1000521

 

Terima kasih Bali!

Natacha Gomes

IMG_8092

Considerado o Umbigo do Mundo pelos Incas, por ser o centro do seu império.

Uma civilização que existiu de 1100 dc a1532, tão brilhante quanto destemida, na verdade uma mescla de todas as civilizações que a antecederam.

Tem 500.000 pessoas e situa-se a 3400 mt de altura em relação ao nível do mar.

Fizemos um switch completo em relação a Lima…em termos de altitude, clima (aqui muito mais instável) e paisagem…muito verde,montanhosa, um cenário idílico carregado de cultura que nos fez literalmente viajar no tempo.

São inúmeras as recomendações à chegada…descanso, refeições ligeiras (à base de sopa de quinoa) e… chá de coca. Muito chá de coca.

E começa o périplo pelos monumentos Incas, estoicamente em pé até aos dias de hoje, devido à engenharia Inca e à sua reverência e respeito pela Pachamama (Terra Mãe), bem como ao conhecimento de todos os elementos que a compõem, que os levaram a construir paredes robustas ligeiramente inclinadas, em trapézio, anti-sísmicas, que não cedem ao passar do tempo.

IMG_7156

Qurikancha, o templo do sol do Deus Inca Wiracocha, foi o primeiro monumento a ser visitado, seguido da Catedral de Qozco, de 1600 dc, com o seu Taitacha de Los Tremboles.

Por todo o lado verdadeiras maravilhas construídas pelo homem: Saqseguaman (centro administrativo e religioso), Ollantaytambo, o mercado de Pisaq e o delicioso pão cusqueño, a prata local e os tecidos de lã de Alpaca… e ainda os plácidos Lama, os passeios aventura pela natureza (trekking, canoagem, alpinismo, equitação) e uma beleza natural incomparável e diversa são ingredientes que fazem com que este seja um destino acima da média…

Três horas de comboio separavam-nos de Águas Calientes, a pequena vila próxima de Machu Picchu. Era o nosso destino final, aquele por que aguardamos durante toda a viagem.

Machu Picchu (montanha antiga) – conhecido como o El Dorado – foi cientificamente descoberto em 1911 pelo americano Hiram Bingham.

IMG_7284

O santuário, que albergava cerca de 500 pessoas (as consideradas mais inteligentes), mantém a forma original, na sua maioria, não tendo sido conspurcado durante a invasão espanhola, por desconhecerem a sua existência.

É um dos locais mais visitados do Mundo (recebe até 5.000 pessoas por dia nos meses de maior afluência) e era considerado pelos Incas um lugar sagrado, escolhido meticulosamente pela sua localização privilegiada, excelente para a observação astronômica, para além de ter uma energia peculiar, que sentimos pairar no ar.

De regresso a Qozco, já com uma ponta de nostalgia e um certo clima de despedida a querer instalar-se, o Restaurante escolhido foi o Inka, onde tive uma das melhores experiências gastronómicas enquanto no Perú.

Última noite em Lima. No dia seguinte voltaríamos a casa. Já não éramos os mesmos. “La Dama Juana”, restaurante tradicional com show folclórico, fez-nos bailar e no Ayahuasca Restobar, um dos dez melhores bares do Mundo, tornámos a brindar, desta vez, pelo retorno a este país que nos proporcionou de facto uma experiência mágica.

Valeu a pena mergulhar nesta cultura milenar que nos fez ganhar tanto.

Achava eu que o “tema” Perú ficaria encerrado nesta viagem.

Enganei-me redondamente. Ficou tanto por ver.

Não pudemos visitar o Lago Titicaca, Arequipa, a floresta da Amazónia nem vislumbrar as ondas esquerdas mais longas do Mundo, em Chicama.

Por isso, teremos de voltar.

IMG_8059

Sulpaiqui, Perú.

assinatura

*Texto publicado na Revista Rotas & Sabores, 2015.

 

 

IMG_6867

Dos 30 milhões de Peruanos, 11 milhões vivem em Lima. A cidade tem 43 distritos, muitos diferentes entre si. A bonita Miraflores sem dúvida que não nos ficou indiferente.

Ficámos hospedados no simpático hotel Dazzler, em plena Miraflores, que se revelou a base perfeita para os restantes pontos turísticos da cidade.

Uma chegada brindada com Cerveza Cusqueña, com vista para a praia. Sabia a férias.

E eis que, logo na primeira noite, nos é apresentada a internacionalmente afamada cozinha Peruana. O “Señorio de Sulco”, no Malecon de Miraflores, foi o ponto de partida para esta viagem dos sentidos, em que o paladar foi claramente o mais privilegiado. Iniciei a noite com um pisco sauer de maracujá, o meu favorito.

Desde que o chef Gastón Acurio, considerado o Embaixador da cozinha Peruana, elevou os ingredientes usados tradicionalmente no Perú, até então considerados demasiado humildes, ao estatuto de cozinha gourmet, que todo um movimento de orgulho nacional ligado à gastronomia (mas não só) se gerou, dando origem a uma das cozinhas mais conceituadas do Mundo.

Dos 400 pratos típicos existentes no Perú, que se podem experimentar no Festival gastronómico anual “Mistura”, o meu favorito é, sem dúvida, o delicado Ceviche, que me encantou tanto quanto a melhor sandes de Leitão que já experimentei na vida, a da sandwicheria criolla “La lucha”.

Dia de sol em Lima.

Esta cidade sísmica tem duas placas tectónicas, facto que influenciou a arquitectura local, em geral marcada por edifícios baixos.

Se a periferia lembra os arredores de São Paulo, o centro histórico tem o charme da Espanha colonial.

O centro de Lima, também considerado património mundial, é feito de história.

IMG_6869

E também de gentes. Rostos que denunciam misturas de etnias várias, longos cabelos lisos cor de azeviche, largos sorrisos em rostos de tez morena e uma simpatia inestimável.

É assim que recordo os Peruanos.

Existem mais de 300 huacas em Lima, da época pré Inca, com cerca de 5000 anos de existência. Uma espécie de pirâmide (sólida, sem galerias) usada antigamente como local de adoração aos Deuses.

O seu valor enquanto património histórico é relativamente recente – há ainda quem se recorde de as ter usado como local de brincadeiras durante a infância – mas são agora protegidas como património cultural da Humanidade, o que não impede os Peruanos de tirar o melhor proveito da sua localização…um dos bares / restaurantes mais bonitos (e mágicos!) que conheci fica na Huaca Puclliana, que recomendo imensamente.

O Distrito de San Isidro, elegante centro financeiro de Lima, também merece um passeio, bem como o Parque de La Reserva, um circuito mágico de fontes luminosas (com o jorro mais alto do mundo – 80 mt de altura) com 8 hectares, projectado pelo arquitecto francês Claude Sahut e que contém imensas esculturas de artistas peruanos.

IMG_7868

Chegados a Casa da Literatura, sita na antiga Estación de Desamparados, sorrio ao relembrar o livro autobiográfico “A Tia Júlia e o Escrevedor”, de Vargas Llosa, e por pensar que tanto daquela paisagem inspirou os seus textos.

Passámos pelo Parque de La Exposition, pelo Museu de Arte de Lima, pelo Palácio da Justiça e Palácio Francês, o grande Hotel Bolívar prendeu a nossa atenção, bem como o teatro Colón – o primeiro teatro de Lima – e arrepiámo-nos nas catacumbas da Catedral de San Francisco, com milhares de ossos humanos para “visitar”.

Descobrimos inclusive inúmeras referências a Maria Angola…uma escrava de Angola que se casou com um espanhol, após ser liberta, e herdou uma grande herança. A história de um país a cruzar-se com a de outro. Por isso gosto tanto de viajar.

A Plaza Mayor requer atenção redobrada por estar rodeada de edifícios lindíssimos, mas também porque possui uma fonte que nada teria de extraordinário, não fosse pelo facto de jorrar aguardente de pisco, ao invés de água, durante 3 horas, no último dia de Julho de cada ano. Se até agora não via motivos para visitar Lima, cá está mais um incentivo!

Nenhuma visita cultural a Lima pode estar terminada sem passar pelo impressionante Museu do Larco (com um restaurante imperdível), um museu privado que guarda os tesouros do antigo Perú, e que é a porta de entrada para a Cultura Inca, mote perfeito para o nosso destino seguinte: Qozco.

IMG_6861

assinatura

*Texto publicado na Revista Rotas & Sabores, 2015.

There is something very special about small-town airports.

Land in the middle of the runway, alight right there, using your own feet, without a sleeve or van, always seems to me to be an adventure.

A huge rainbow covers one side of the runway and appears to welcome visitors to the town of Lubango.

Lubango was given municipal status in 1923 and was once nicknamed «Garden of Angola». Over the years it has suffered but it has strived to preserve the dignity of times gone by.

It still preserves all its natural inspiring beauty (such is a green environment!), with waterfalls, hills, wide plains, giant fissures, a winding road that leads to the desert, all blessed by Christ the King who observes from on high with a complacent air.

One drive around the town and its surroundings is all it takes to see that we are in another dimension, and that we have gone from a temporal dictatorship to another, being this one a much pleasanter regime.

Fenda da Tundavala

We had a set destination: The Rest.

«Pululukwa» means «rest» in Umbundo, a national language, and it is a resort located in the outskirts of Lubango, though it could be located anywhere in the world, such is the eclecticism it shows, and which gives it an international aura.

With a rustic but refined decoration, its ‘villages’ remind one both of Madeira (yes, the Portuguese archipelago) and of a kimbo[1] in southern Angola.

Decorated with items from Thailand and other exotic places, with South-African ceilings suggestive of cosiness, yet always with Angolan features strongly present…and with so many other small details that make a big difference. As do the attention and open smiles that greet us. And the homemade sweets made from local fruit.

And how can we not rest when all around us is the maudlin murmur of running water, the smell of ripe guavas from the trees at the entrance to the chalets, even at arm’s length, to feed idleness, and a restaurant whose menu is flexible to the whims of the seasons and which makes a point of having, as guests of honour, the delicacies of Lubango. So don’t be surprised if the delicious local meat comes with fuchsias, or if the soft drink is a snow cone of just-picked guava.

And imagine waking with zebras at your window.

All this is Pululukwa.

The tour of Lubango the next day confirmed all yesterday’s expectations.

We saw the Huíla and Hunguéria waterfalls that demanded joyous dips, Our Lady of the Mountain (“Nossa Senhora do Monte”) with her dual function of confession and belvedere, with a view over the town, the deep Tundavala Fissure so unique and enigmatic that it surely hides the answers to many of the mysteries of humanity, the Serra de Chela that, as in Rio de Janeiro and Lisbon, is crowned with Christ the King, we tasted Lubango strawberries, the country’s most famous, and we couldn’t fail to taste the local sausage.

A real trip of the senses.

After quenching our thirst with water from the river, we heard the mujimbo[2] that the restaurant Kimbo do Soba was ready to receive us. This restaurant specialises in game meat galloping to the grill: boar, oryx, kudu…and crocodile!

Surprising Lubango.

But it is time to leave…

Serra da Leba

We decide to follow the Hermenegildo Capelo and Roberto Ivens route in the direction of the Coast.

We are speechless before the sunset…that promised African sunset, huge, yellow, orange, red, all the hues, coming down the marvellous, curvy, feminine and stunning Serra da Leba, which insists on successive meetings in an unending courtship with the Namib Desert.

Namibe will follow.

assinatura

[1] Kimbo — village, hamlet.

 

[2] Mujimbo — news item generally unsubstantiated and anonymous, spread publically; rumour, gossip.

 

*Text first published in Espiral do Tempo Magazine, edition 51.

*Photography: Bernardo Gramaxo.

It’s hot, traffic is heavy and the clock is ticking, noisily dictating with every passing minute the tyranny of time.

Everyday life in Luanda is very intense…

Sitting at my desk, I count the minutes (the seconds, perhaps) before leaving for the airport and heading for my chosen destination. Another Angola, so different from the one I see from the window, with glass, concrete and stainless steel bisecting the view of the sea.

Luanda is pretty, even so.

Luanda

But…there is the green of Lubango…and the dunes of the Namib Desert.

Other destinations wait for us.

From where I stand, my destination seems to be as close as it is far away, inexplicable sensations that seem ethereal because they are very different realities.

Still in Angola but leaving behind such everyday sensations, because we are in fact leaving a comfort zone that is not always comfortable, and because for the animals of the concrete jungle that we are, the most natural environment can seem the most harsh.

But we are so wrong…

The appeal of discovery is greater than any fatigue or fear. It is time to discover.

#20BG

I frequently question myself, during this phase that I consider as my (re)discovery of Angola, whether we are (re)discovering the country or if it is the country that is being (re)discovered, allowing us to rediscover ourselves in unheard-of scenarios.

Who, therefore, is the active subject in this sentence structure?

And also because, in a time that is different from the time of today (seems redundant? Those who live in Angola know it is not), knowing the country appeared to be a Herculean task, because of that time.

This discovery I am talking about is after all a learning process.

Lubango will follow.

assinatura

*Text first published in Espiral do Tempo magazine, Edition 51

*Photographies of Bernardo Gramaxo e Mauro Motty

 

%d bloggers like this: