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Economia & Mercado - Figura do Mês - AG 1A ENTREVISTA NA ECONOMIA & MERCADO

Qual a receita para ser uma boa advogada, principalmente na conjuntura em que nos encontramos?

Não há certamente uma resposta única a esta questão, dado não existir, infelizmente, uma fórmula única para o sucesso.

A meu ver, formação constante, o radar ligado à actualidade socioeconómica e às novidades legislativas, bem como imprescindíveis (muitas) horas de trabalho, poderão sem dúvida contribuir para o sucesso na advocacia. Ter um objectivo bem definido e seguir à risca o plano estipulado para o alcançar, em acréscimo, será a cereja no topo do bolo.

A seguinte máxima de Alvin Toffler poderá servir como guidance para quem queira vingar profissionalmente, ainda que em conjunturas mais difíceis, como a que atravessamos: “Ou se tem uma estratégia própria, ou então somos parte da estratégia de alguém”.

Que grandes desafios tem pela frente?

Em síntese, construir uma carreira sólida e com consciência social, em Angola.

Que obstáculo encontra para alcançar as metas que pretende alcançar?

Devido a exposição internacional que a profissão proporciona, temos necessariamente de trabalhar com o mesmo rigor, eficiência e expertise que os nossos congéneres noutras partes do Mundo, o que nem sempre se afigura fácil.

Vivemos num país ainda em fase de transição, que nos apresenta diariamente desafios – por vezes obstáculos – pessoais e profissionais, que mutuamente se influenciam.

Mas o povo angolano é estóico, tem uma história de superação e acredito que esta geração, mais formada e internacionalmente exposta, poderá fazer a diferença, a todos os níveis.

Como avalia o ensino da área jurídica em Angola, particularmente no ramo em que actua?

Estamos na incontornável fase da “quantidade”…existem inúmeras Universidades a leccionar o curso de Direito, com níveis de qualidade diferentes.

Há duas ou três que claramente se destacam, sendo que o esforço individual de cada aluno poderá suplantar as eventuais deficiências do curso.

Os conteúdos curriculares deverão, no entanto, ser futuramente ajustados, de forma a abranger matérias que tradicionalmente não fazem parte do leque de cadeiras obrigatórias, tais como a Arbitragem (método alternativo aos tribunais judiciais para a resolução de litígios) e Direito do Petróleo e Gás, apenas para citar alguns exemplos.

Alexandra Gonçalves Data:11 de Abril 2016 foto:Carlos Aguiar

Alexandra Gonçalves
Data:11 de Abril 2016
foto:Carlos Aguiar

Qual é sua opinião face à actual situação económica do país?

Vivemos tempos de incerteza que se poderão transformar, tomadas as decisões correctas, em tempos interessantes.

A queda abrupta do preço do barril de petróleo teve efeitos imediatos sobre as receitas da economia nacional, ancorada essencialmente na produção petrolífera.

A quebra da dinâmica de crescimento na África Subsariana afecta, igualmente, a capacidade de crescimento económico de Angola. Teremos menos exportações, menos investimento público e, expectavelmente, menos investimento privado (nacional e estrangeiro).

Temos, por isso, necessariamente de entrar num novo ciclo económico de estabilidade não dependente do petróleo.

Neste clima de “ausência de fartura”, é urgente a gestão eficiente de todos os players do mercado, em prol da diminuição do despesismo, da substituição do petróleo como fonte principal de receita, do aumento da produção interna e das exportações.

No entanto, essa urgente reviravolta só poderá ser possível com a formação e capacitação dos quadros nacionais, do apoio ao empreendedorismo nacional e aos novos empreendedores, e de um investimento considerável em áreas de futuro, tais como a agricultura – há neste momento cerca de 20.000 cooperativas agro-pecuárias registadas no país – e o turismo interno – o sector da hotelaria e turismo criou, nos últimos anos, 191 mil postos de trabalho directos.

Estes são números animadores, embora insuficientes.

Que aspectos distinguem o mercado angolano da realidade dos países com quem Angola tem parcerias económicas?

Angola tem parcerias económicas com países com realidades muito distintas.

Vivemos actualmente numa economia instável, a depreciação do Kwanza chegou a cerca de 40%, a inflação sobe há 14 meses consecutivos. Não estamos, por isso, a nível regional e internacional, numa situação muito favorável, quando comparados a países economicamente estáveis.

Não obstante as inúmeras riquezas naturais e de haver muitas áreas por desenvolver, certo é que o futuro do país – e do continente – depende das pessoas e não dos bens.

Há, portanto, que importar as boas práticas, vigentes em países mais desenvolvidos e adaptá-las a nossa realidade, de forma a diminuir as discrepâncias que possam afectar parcerias económicas saudáveis.

Como referi, tal só será possível, em primeira mão, com a aposta na capacitação do capital humano, de forma a garantir o desenvolvimento sustentável do país.

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Caotinha AG

Há qualquer coisa de muito entusiasmante nas road trips.

Fazer as malas, preparar tudo o que for (aparentemente) imprescindível para a viagem, equipar o carro, decidir o horário de partida, fazer o diário de bordo, contar minuciosamente cada quilómetro percorrido, qual conquista, descobrimento, 500 batalhas de uma guerra, 500 beijos apaixonados, 500 km Luanda-Benguela…

Entusiasma-me o domínio da paisagem.

Pelo menos, a sensação de domínio que a natureza, complacente, por vezes nos deixa experimentar.

E essa paisagem não é constante, não é nuvem de fora da janela do avião!

É caótica à saída de Luanda, com passagem cultural pela praça do artesanato e o Mussulo lá ao fundo, sempre convidativo.

Há, gradualmente, cada vez mais natureza, de que por vezes nos esquecemos quando embrenhados nos arranha-céus e na movida eletrizante de Luanda.

E o conta-quilómetros continua!

E vou eu a conduzir, banda sonora cautelosamente selecionada, em altos decibéis, canto feliz por ver o Miradouro da Lua, silenciosamente lunar, já lá atrás, e dou um aceno ao rio Kwanza.

Caotinha 2 AG

 

A mente voa, levezinha, e sobrevoa a paisagem, que vai mudando ao longo do caminho.

Finalmente, Cabo Ledo!

Que súbita vontade de dar uma guinada ao volante para a direita e descer para a Praia dos Surfistas, para um mergulho rápido, cumprimentar os amigos e seguir viagem. Mas lá mais para baixo algo muito especial esperava por nós.

A viagem já é real!

Saímos da zona de conforto, do habitual.

E não há escala de avião, milhas de voo acumuladas nem revista no detetor de metais que superem a excitação da comunicação entre carros, e com a família, com os outros amigos, com quem ficou, com quem vai, com quem passa e ultrapassa…

Porto Amboim. Abastecer o carro. E vocês? Sumbe.

Vai a marginal almoçar, e fica atenta ao verde da paisagem. Sempre presente a poesia do meu pai.

Rio Kwanza, rio Longa, rio Keve.

A Canjala, linda, outrora palco de horrores. Mas a história já seguiu viagem.

E a (re)descoberta de um país, hoje (felizmente) com duas caras… a do progresso determinado em apagar as marcas do que aconteceu ao virar da esquina (disse-me o tanque de guerra ferrugento, que há muito conta as suas histórias ao pé da ponte da Barra do Kwanza)… e a da natureza viva, verde (e vermelha, e plana, montanhosa, imensa, maravilhosa), que brota indomável dos dois lados da estrada (que, parece-nos, vai desembocar no paraíso, que fica logo atrás da próxima serra) e que transforma esta viagem numa aventura, porque nos lembramos de repente que estamos em África e que somos todos potenciais descobridores!

Ainda antes de chegarmos ao nosso destino, a cerca de 43 km do Lobito, há uma maravilha natural, desconhecida para muitos, que ‘merece’ 30 km de picada apenas para deleite dos olhos e preenchimento do coração.

De nome exótico, local onde o rio Balombo se encontra com o mar, palmeiras imperiais e montanhas a lembrar pirâmides[1], o Egito-Praia é dos lugares mais paradisíacos que conheço em Angola.

Terminus BG

Benguela. Acácias rubras. Flamingos cor de rosa.

Mas poderia também ser conhecida como a província do mar azul, cristalino, sonhador.

É uma das províncias mais importantes de Angola. Ainda guarda uma certa pacatez, e tem recuperado, com sapiência, ao longo dos anos, o seu lugar de destaque.

Há uma certa rivalidade entre as cidades do Lobito e Benguela, mas quem chega divide corações, tempo e quilometragem entre as duas, porque uma só é perfeita porque a outra lá está, e porque é (sim!) possível ter dois amores.

E o Lobito começa caótico, barulhento, feio mesmo, kupapatas[2] a zunir de um lado para o outro, mas continua, não desanimes, segue em frente, procura a Restinga, ela faz-te um mar de promessas que são cumpridas pelo pôr do sol vermelho-fogo e pelas gargalhadas de amigos com os pés na areia da praia.

É o encontro dos aventureiros!

Pilotos e navegadores. Homens e mulheres.

Unidos na vontade urgente de brindar com uma Ngola e comer amêijoas no bar da tia Fátima, o mar ao fundo, resquícios do espetáculo solar ainda no céu que serve de pano de fundo a esta cena.

A Restinga do Lobito, tão bonita (assim a cantam Yola Semedo e Paulo Flores), é o meu lugar preferido na cidade.

Guarda a aura de outros tempos, com os seus edifícios de arquitetura colonial, tão imponentes, as vivendas à beira-mar, uma certa nobreza…

Cine Restinga BG

Desses edifícios, tenho predileção pelo do hotel Terminus, o mais histórico e tradicional da região.

Mesmo em frente à praia, é paragem obrigatória na cidade, para fazer uma refeição entre mergulhos de mar.

O primeiro mergulho das férias.

Talvez a sensação mais refrescante do mundo.

Nas águas da Baía Azul, na clarividência e ‘azulescência’ da beleza da Caotinha, ilhas gregas personificadas, num sem número de praias de água quase transparente, no palmo de costa mais bonito deste país pleno de natureza viva.

E vamos a caminho dos mistérios do Dombe Grande.

Vemos à beira da estrada as vestes tradicionais dos mumuílas, animais a meio da estrada, e lembro-me mais uma vez de que estou em África profunda. A sensação é boa!

Terra mítica, dizem os mais velhos. De feitiço, diz-se baixinho.

Terra onde se deve beijar o crocodilo, para dar sorte, diz o povo. Fala-se muito, mas à boca pequena, com cuidado. Fazem-se tratamentos, por aqueles que «os fazem», e mais não se diz.

Explicou-nos o Tony, o pastor de mais de 100 vacas, que nos fez uma visita guiada pelo Dombe. Terra de palmeiras, com vestígios de outros tempos — fábrica açucareira, vivendas coloniais — uma mistura férrea entre metais e madeira, criando impossíveis matérias novas.

Árvore férrea BG

Do Dombe Grande seguimos para a Equimina, zona de pescadores, no meio de nenhures…

O objetivo final era chegar à Baía dos Elefantes.

Ouvi o nome e liguei logo o radar.

Quem é que não quereria chegar a uma praia praticamente deserta, de nome peculiar, águas azul-esverdeadas, que para alcançar, é necessário negociar com os pescadores uma boleia de barco, ou agarrar no jeep e fazer TT por vales «inasfaltados» e «des-sinalizados»?

Nós quisemos.

Sem GPS ou placa que nos pudesse valer, como verdadeiros descobridores. Tudo a olho e a confiar nas indicações de quem, ao acaso, connosco se cruzasse pelo caminho, comunicação extremamente dificultada pelo nosso desconhecimento de uma língua nacional.

Se nos perdêssemos, tínhamos a segurança de um manjar composto por bolachas, queijo e vinho branco… devia dar para sobreviver durante uma semana…

E, de facto, valeu a pena!

As tais águas azul-esverdeadas, prometidas, lá estavam, a praia quase deserta (pergunto-me: quantas praias assim haverá ao longo da costa ocidental angolana, esperando pacientemente por serem descobertas?), montanhas que a mim lembraram manadas de elefantes, e uma chuva morninha que, de dentro de água, «sentia» a carícias do céu.

A cereja no topo do bolo, melhor, a «cuca no topo do prego»: no bar Ferro Velho, em Benguela, bem acompanhados por um pôr do sol e aves no céu, fechámos a tarde.

Ombaka kuia![3]

E no último dia só apetecia não ir embora… os mergulhos na praia do Terminus não aplacaram a tristeza da despedida… daquela tristeza sorridente que se tem imensa alegria por sentir.

Caso para cantar…

Quando eu fui a benguela não quis regressar[4]

Ao ver Praia Morena

Fiquei a sonhar…

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[1] O nome Egito-Praia foi atribuído pelos primeiros portugueses a chegar à região, por confundirem as suas montanhas em forma de pirâmide com as pirâmides egípcias.

[2] Jovens motociclistas que transportam pessoas e bens a troco de dinheiro.

[3] Benguela é muito boa.

[4] Música original de Fernando Quental.

 

*Crónica originalmente publicada na Edição 54 da Revista Espiral do Tempo (Primavera 2016). Para aceder a publicação original, clique aqui.

Fotografias de Alexandra Gonçalves e Bernardo Gramaxo.

Texto sujeito ao acordo ortográfico em vigor em Portugal.

Caros Amigos,

A Revista Espiral do Tempo quis saber como se movem, por Angola, os ponteiros do relógio.

Com enfoque na alta relojoaria, a revista faz a simbiose perfeita entre o fascínio pelo objecto – medidor do tempo – e a relevância que o tempo – etéreo, de valor inquantificável – tem no desenrolar dos nossos dias.

É com imenso orgulho que anuncio a parceria The Alexe Affair & Espiral do Tempo, a partir do número 51 da revista, mesmo a tempo do verão de 2015, pela qual me foi dada a oportunidade de traçar destinos cá por dentro.
“Tempo e viagens: Angola pelas palavras de Alexandra Gonçalves, a carismática autora do blogue The Alexe Affair com quem tivemos a honra de contar na nossa mais recente edição de verão. Texto completo e imagens de cortar a respiração para descobrir no nosso site”

Espiral do Tempo

Espiral do Tempo - Perfil AlexandraGoncalves

O tempo, de descanso e aventura, passado entre o Lubango e o Namibe ficou retratado no n.º 51, mas muito mais está por vir, ainda em 2015.

Na próxima edição, por que caminhos nos levarão as estradas de Angola?

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Ver Angola decidiu investigar os meus Affairs, e o resultado foi este!

A entrevista completa e galeria de fotos podem ser vistas aqui.

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The Alexe Affair: “A sílaba tónica tem sido a divulgação

da beleza natural e cultura angolanas”

 

Cresceu a conhecer cada recanto de Luanda… mas a vida quis que fizesse as malas e visse grandes avenidas e marginais. Viveu em Lisboa, Paris, Londres, Genebra e Frankfurt. Advogada de profissão e por vocação, confessa-se uma apaixonada pelas viagens, mas não esconde, no entanto, alguns affairs com a escrita, a música e a fotografia. O derradeiro chama-se The Alexe Affair.

*Affair é uma expressão que vem do francês affaire, e significa caso. É frequentemente usada em português para definir um caso amoroso ou romance escandaloso, que pode ser público ou mantido em segredo.

Muito mais que um simples blog de viagens, este “caso” de Alexandra Gonçalves é a possibilidade de descoberta de uma Angola de Norte a Sul, um país com uma “beleza inigualável” e uma panóplia de ofertas turísticas. Quem está do outro lado do ecrã agradece.

 

Alexandra, em primeiro lugar fale-nos um bocadinho sobre si. Onde nasceu, onde cresceu, como foi a sua infância?

 Nasci e cresci em Luanda, até aos 12 anos.

Vivi, nos primeiros anos, no Bairro dos Coqueiros e tenho vívidas memórias de “vivermos o bairro todo”.

Os miúdos do prédio, para se entreterem, brincavam pelo bairro, o que hoje em dia é impossível…pelo jardim dos Coqueiros, pela Fortaleza, pela Marginal e pelo Museu de Antropologia, que conhecíamos como a palma da nossa mão.

Aos 12 anos a família mudou-se para Lisboa, onde vivi durante 15 anos, e apesar de ter continuado ligada a Angola, e a visitar o país todos os anos, tive o privilégio de conseguir conhecer a fundo outra cultura, que se cruza com a cultura angolana em vários aspectos, e de ter mesclado vivências.

Tive uma infância extremamente feliz, rodeada de irmãos e muitos primos e amigos. São os privilégios das famílias grandes.

Lembro, com especial carinho, as férias grandes passadas em Cabinda, com os avôs…as mais especiais, as mais deliciosas.

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Diz que é advogada mas com “affairs noutras artes”. Porquê?

Sou advogada de profissão e por vocação. Venho de uma família de juristas, portanto diria, obviamente exagerando, que o Direito nos corre nas veias.

Temos, no entanto, uma faceta artística também muito acentuada. O meu pai, por exemplo, para além de Advogado, é músico, compositor e um amante das Artes Plásticas.

Julgo que tenho alma de artista, por sentir uma necessidade muito premente de me expressar pelas Artes, seja pela escrita, pela fotografia ou pela música.

São actividades que, longe de serem díspares, antes se complementam e me fazem sentir realizada.

E como é que surgiu o seu derradeiro “affair”, o The Alexe Affair?

O The Alexe Affair surgiu na sequência da “tal” necessidade de me expressar pelas Artes (no caso, pela escrita), aliada ao gosto inexorável pelas viagens.

É, essencialmente, um blog de viagens.

Adoro viajar e conhecer outras culturas. Ter amigos por todo o Mundo faz com que sintamos com que o Mundo seja (um pouco) a nossa casa.

Ter vivido em Paris, Londres, Genève e Frankfurt, para além de Luanda e Lisboa, sem dúvida que contribuiu para esse sentimento.

No entanto, é engraçado perceber que, nessas inúmeras viagens, retiro um prazer imenso da constatação de que somos, de facto, todos diferentes e todos iguais. As nossas similitudes encantam-me.

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O que é que pretende com este blog? Quem gostaria que lhe fizesse uma visita regularmente?

O blog foi inicialmente criado, como referi, para satisfazer a minha necessidade de me expressar pelas Artes.

Mas os projectos vão crescendo e se transformando, passando a ser um bocadinho de toda a gente que os aprecia.

Comecei por fazer narrativas de viagens para guardar memórias das minhas viagens pelo Mundo, e para as partilhar com os amigos.

Agora, especialmente com a mudança para Angola e por estar muito focada em palmilhar o meu país, a sílaba tónica tem sido de facto a divulgação da beleza natural e cultura angolanas.

Quem gostaria que me visitasse? Toda a gente, claro.

Especialmente aquelas pessoas que partilham o meu gosto pelas viagens, em geral, e em particular quem tenha curiosidade em conhecer melhor Angola.

Assume-se como uma “viajante incurável” e relata as descobertas no blog. Em Angola, costuma aconselhar os visitantes com locais para visitar, dormir, comer… Sente falta deste tipo de informação no nosso país?

Sinto falta de meios eficazes para veicular todo o tipo de informação.

A nível turístico, primordialmente, mas não só. Neste campo a informação é escassa, embora haja bons esforços nesse sentido.

Luanda, por exemplo, que tem já uma agenda cultural interessante, peca, no entanto, pelo facto de os produtores e promotores desses eventos não conseguirem, geralmente, de forma eficaz, chegar ao grande público.

Não falo de um concerto em grande escala, mas por exemplo, de uma vernissage

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Vê Angola como uma potência turística à escala africana?

Sem dúvida alguma.

A beleza natural do País é inigualável e muito variada, de Norte a Sul do País, o que poderá ser polo de atracção para uma variedade de turistas: backpackers em busca de ondas para surfar, os praticantes de Golfe, os que procuram sossego num Spa, rodeados pela natureza, os mais aventureiros que por estrada queiram conhecer o país de lés a lés…

As possibilidades são infinitas.

Vejo Angola como uma potência turística à escala mundial, se conseguirmos, nos próximos anos, encontrar um equilíbrio sustentável em termos de acessibilidade (financeira, por exemplo) e disponibilidade de serviços ligados ao Turismo, transversais a toda a sociedade, que passam pela hotelaria, restauração, transportes e serviços diversos, de criação de infra-estruturas capazes, de redes aéreas, ferroviárias, marítimas e terrestres.

É um sector que, para se poder desenvolver, implica que haja um desenvolvimento e organização do próprio país, em larga escala, e que claro, irá potenciar a criação de emprego para uma franja alargada da sociedade.

Claro que a hospitalidade e sorriso aberto dos angolanos fazem, por outro lado, toda a diferença, portanto eu diria que temos metade do caminho andado para que as pessoas se sintam bem-vindas.

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A produtora audiovisual The Art Affair é outro dos seus projectos. Pode falar-nos sobre ele?

A produtora The Art Affair é outro dos meus affairs. Foi criada em 2014, com o objectivo de produzir conteúdos ligados à Cultura, às Artes, à Natureza, ao desporto e Ambiente.

Estamos, desde o ano passado, em parceria com a portuguesa The Takes, a produzir aquele que será o primeiro filme documentário sobre Surf em Angola. O filme roda por toda a Costa Angolana, de Cabinda ao Cunene, e pretende mostrar a relação do nosso país com o surf, o potencial das nossas ondas para a prática do desporto, bem como a cultura e a beleza natural de Angola.

O projecto será lançado em Setembro deste ano.

A advocacia, as viagens, a moda, a arte. Existe uma panóplia de paixões que conduz a sua vida. Como é consegue conjugá-las?

Julgo que o segredo está na gestão do tempo, aspecto em que vou trabalhando ao longo da vida, no facto de adorar o que faço, e de me entregar apenas aos projectos a que me sinto emocionalmente ligada.

Muito bem disse Confúcio “Escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”.

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O que é que espera do futuro? Gostaria que os seus “affairs” fossem cada vez mais uma inspiração para os angolanos?

Se porventura o forem, isso deixar-me-ia, logicamente, muito feliz.

Costumo dizer que quem anda pelo Mundo acaba por ser um Embaixador do seu país. Tento, por isso, representá-lo o melhor que sei.

No meio de tantas dificuldades e “feridas da história” que temos ainda que ultrapassar, porque não realçarmos o que temos de melhor, para que sirva de inspiração para todos aqueles que cá estão, amam Angola e querem ver o país progredir?

Este é o lema por que me pauto.

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*Fotografias de Alexandra Gonçalves, Isaura Pinto e Bernardo Gramaxo.

 

A Revista Rotas & Sabores, em parceria com o Luanda Nightlife, publicou o Guia da Cidade de Luanda, na edição de aniversário da Revista (edição n.º 7, Fevereiro / Março de 2015).

O que é que Luanda tem?

Vai ter de ler o guia para descobrir.

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Recomendo a compra da revista para ter um guia todinho para si.

De todo o modo, os promotores desta iniciativa cederam-nos gentilmente o guia em PDF, que poderei enviar para todos aqueles que manifestarem vontade de o receber.

NB: A Rotas & Sabores está disponível ao público nos supermercados Kero, Descontão, Casa dos Frescos, Martal, Foodlovers, livrarias de hotéis e em algumas pastelarias em Luanda.

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Angola, Uma viagem, Três surfistas…

Um país por explorar, uma equipa persistente, ondas inacreditáveis e um Povo que acolhe, acarinha e integra.
O mote para o primeiro filme documental sobre Surf em Angola.

De uma conversa entre amigos, surgiu uma ideia.
Esta ideia rapidamente se tornou uma grande paixão.
De amor platónico a projecto estruturado, foi um passo.

É com muito orgulho que a The Art Affair e a The Takes foram à “descoberta” da essência deste país…e do Povo que lhe dá alma.

Acompanhados por todos aqueles que acreditaram na sua visão, mostrando serem eles os verdadeiros visionários.

Junte-se a esta aventura!

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O site brasileiro #MídiaTrans, percursor do jornalismo transmídia participativo, tem como mote “Mundos Portáteis”.

Decidiu partir em busca dos “Nômades Modernos”, as pessoas que provam que é possível viajar, trabalhar e curtir a vida, tudo ao mesmo tempo.

Tive o enorme prazer de ter sido uma das entrevistadas nessa rubrica, e de ter sido incluída nesse honroso “clã”.

Para  aceder à reportagem no site, clique aqui.

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Alexe e suas paixões

 

por Marcos Reis

 

“A monotonia não faz parte do meu vocabulário”.

Quem fala é Alexandra Gonçalves, uma angolana de 31 anos de idade que possui uma sede inesgotável de descobrir o que está “do outro lado da porta”. Adepta de um estilo de vida bastante dinâmico, tem uma intensa vida familiar e social. É fácil compreender porque ela está sempre “a mil”, “mas, ainda assim, com um sorriso nos lábios”.

Nascida em Luanda, é uma viajante nata (realiza viagens a cada dois meses, pelo menos). A maior parte de suas andanças pelo mundo se deve ao trabalho, “mas há sempre um tempinho para descobrir algo novo, que faça com que eu regresse à casa com uma bagagem um pouco mais rica. Inclusive com o cartão da máquina fotográfica (ou o iPhone) cheio de fotos”, conta. “Haverá maior riqueza?”.

Alexandra decidiu seguir a tradição familiar. “Soube, desde muito nova, que o Direito e a Advocacia fariam parte do meu percurso profissional”, relata. Entretanto, também por influência da família, abriu as portas de sua vida para as artes.

“The Alexe Affair” (thealexeaffair.wordpress.com), um pequeno e interessante universo de histórias, viagens, fotografias, músicas e artes em geral, é o espaço onde ela dá vazão à escrita. O blog é uma janela que exibe a sensibilidade de Alexe (como prefere ser chamada) em relação a tudo aquilo que a move e inspira. Como o título da página já revela, são muitos os interesses e as paixões da angolana. Seu mais recente “affair” é uma Produtora Audiovisual chamada “The Art Affair”, criada no fim de 2013 em parceria com Bernardo e Margarida Gramaxo. Algumas das produções já realizadas pela equipe podem ser visualizadas em nossa seção de vídeos.

Alexe vive, atualmente, em sua cidade natal, mas já morou na Europa por 17 anos. Lisboa, Paris, Londres, Genebra e Frankfurt são algumas das cidades por onde ela passou. Ela conta que as experiências vividas em cada um dos lugares contribuíram para sua formação profissional e pessoal e “sempre foram muito interessantes pelo aspecto técnico, em primeiro lugar, e também pelo intercâmbio cultural”. A advogada comenta que sua nacionalidade sempre suscita algum interesse durante suas viagens. “Muito pouco [da cultura angolana] foi revelado ao estrangeiro, e quem anda pelo mundo acaba, inevitavelmente, por ser um porta-voz do país de onde vem”. Alexe assumiu a missão pessoal de desvendar e divulgar toda a beleza humana e natural de Angola, “ainda tão desconhecidas perante o resto do mundo”.

Embora tenha um local de trabalho fixo, Alexandra está sempre em movimento. “Os meandros da minha profissão e das áreas a que me dedico fazem com que tenha que me deslocar com frequência, o que para mim é uma grande vantagem”. Ela ressalta que gosta muito de viajar a trabalho, desbravar novos caminhos, analisar mapas antes desconhecidos e incluir novas pessoas em seu agregado pessoal. Tudo isso a faz sair de sua zona de conforto e estar constantemente atualizada, além de “ter um significado imenso e inquantificável, que faz com que nos posicionemos no mundo com um novo olhar”.

Alexe se considera uma cidadã do mundo, tendo em conta os países onde viveu, os que conheceu a trabalho e a lazer e, principalmente, as culturas que teve o prazer de conhecer e assimilar. “Há uma certa mestiçagem, que não tem nada a ver com a cor da pele, mas com as experiências vividas, que é muito marcante nas minhas ações e filosofia de vida”. Essa característica define, para ela, o que é ser, verdadeiramente, uma pessoa cosmopolita. Entretanto, para Alexe, o cosmopolitismo não deve ser percebido como uma ruptura com as origens. Segundo a angolana, as pessoas sempre precisam ter em mente quem são e de onde vêm, “porque o ponto de partida é necessariamente o que advém das nossas raízes”.

Alexe conta que se tornou, neste ano, a primeira angolana a participar do Dia Internacional da Arbitragem da International Bar Association (IBA), em Paris, juntamente a um colega. Ela sentiu que estava fazendo história, ainda que “a nível diminuto”.

Sim. Ela estava fazendo história, e o faz cotidianamente em seu universo particular e nos de seus leitores por meio de seu olhar sobre o mundo e sobre o país em que nasceu.

 

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