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Lifestyle

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O deserto tem como caraterística principal a incapacidade de deixar alguém indiferente. Não consigo dizê-lo de outra forma.

O fascínio parece começar no imaginário de quem o deseja conhecer.

Pelo menos, foi assim que aconteceu.

Logo à chegada, e antes de nos embrenharmos pelo deserto, quisemos conhecer a cidade do Namibe.

Pacata, plantada à beira-mar, custa a crer que à sua volta há só deserto e mar. Conserva alguns imponentes edifícios coloniais, com destaque para o antigo Cine-Estúdio, uma obra de arquitetura com a assinatura do arquiteto Botelho de Vasconcelos, um edifício futurista, nunca concluído, possivelmente dos anos 60, que lembra, ao primeiro impacto, a estética de Oscar Niemeyer. Tempos de criatividade.

Quisemos logo experimentar, in loco, o saboroso caranguejo do Namibe.

Sabia a mar. Sabia a chegada. Finalmente.

A comida está, inexoravelmente, ligada às sensações que perduram de qualquer lugar em que fomos felizes.

Namibe, cujo nome tem origem no termo namib, de uma lingual local, significa «local vasto». O deserto é, de facto, um gigante de 80.900 km², estendendo-se por 1600 km ao longo do litoral atlântico do sul de Angola até ao sul da Namíbia.

Entrámos no deserto já a noite ia alta, sem nos podermos fiar na visão. Valeu-nos a audição, porque ouvíamos o bater das ondas, e o olfato, porque sentíamos o odor a mar, e a nossa imaginação, regada a adrenalina, transportava-nos além da próxima duna.

A privação da visão aguça a imaginação, e o deserto era aquilo que ela, a imaginação, ditava.

Chegámos ao Flamingo Lodge, onde ficaríamos hospedados nos próximos dias.

Isolado de tudo, tem um ambiente roots mas confortável que todo o lugar no meio do deserto, procurado por surfistas, praticantes da pesca desportiva ou meros apaixonados pelo deserto, deve ter.

Aqui, sentimo-lo, o tempo (se) abranda…

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Ao nascer do sol, tomámos um pequeno-almoço revigorante, de olhos postos no mar, a adrenalina a subir, já só nos queríamos fazer à estrada.

Será que veríamos a onda de 3 km de comprimento? E focas, golfinhos e baleias? Praias de areia roxa, tingidas pelas algas?

E por esta vez (mais uma vez!), a nossa imaginação, na noite anterior tão empolada, fez jus à realidade.

O jeep rasava a beira-mar, brincando com a água, as gaivotas rodeavam-nos por todo o lado, grasnando, tão excitadas quanto nós, e soube ali, naquele exato momento, qual era o sabor da liberdade.

Encontrámos o Vanesa Seafood, encalhado há tempos inquantificáveis, o que nos fez recordar que todo aquele deserto já fora mar.

E as dunas…

As dunas eram tudo o que nos haviam prometido. Areia fina, de tom dourado, tão perfeitamente ondulada, que parecia ter sido estilizada na noite anterior por um paciente modelador, cuja função lhe havia sido atribuída há vários séculos.

Suspiro.

De que forma tanto nada forma um império de areia, e permite paisagens singulares, em nada iguais às anteriores?

Perdemo-nos ao olhar em redor, sem conseguir conter o espanto e os sorrisos, ofuscados pelo brilho do sol na areia e pelo céu azul, límpido como em nenhum outro lugar.

O Canyon pareceu-me o local perfeito para uma ópera em pleno deserto, mas não sei se os montes de areia, quais rochas monumentais, iriam suportar a intensidade de uma ária.

O Arco, um oásis no deserto, compreende três lagoas, sendo a do meio a mais famosa, pela existência de arcos criados naturalmente nos arenitos, batizando desta forma este local paradisíaco.

Na altura sem água, completamente ressequido, uma placa indicando a proibição de mergulhar desafia os limites da nossa imaginação.

Teremos de voltar, prometemos, para ver o lago, e quem sabe, dar um mergulho proibido numa noite de lua cheia.

O tempo não se detém. Segue em frente, indiferente.

De coração cheio de tanto deserto, dou por mim a olhar pela janela, de volta à secretária. Pele queimada do sol do deserto, restos de areia na bagagem, mais histórias para contar, sorrio, feliz, ciente de que há ainda muito por viver, e descobrir.

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Que haja tempo, sempre.

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*Texto publicado na edição n.º 51 da Revista Espiral do Tempo (sob o novo acordo ortográfico).

**Fotografias de Bernardo Gramaxo e Mauro Motty

 

 

 

 

Caros Amigos,

A Revista Espiral do Tempo quis saber como se movem, por Angola, os ponteiros do relógio.

Com enfoque na alta relojoaria, a revista faz a simbiose perfeita entre o fascínio pelo objecto – medidor do tempo – e a relevância que o tempo – etéreo, de valor inquantificável – tem no desenrolar dos nossos dias.

É com imenso orgulho que anuncio a parceria The Alexe Affair & Espiral do Tempo, a partir do número 51 da revista, mesmo a tempo do verão de 2015, pela qual me foi dada a oportunidade de traçar destinos cá por dentro.
“Tempo e viagens: Angola pelas palavras de Alexandra Gonçalves, a carismática autora do blogue The Alexe Affair com quem tivemos a honra de contar na nossa mais recente edição de verão. Texto completo e imagens de cortar a respiração para descobrir no nosso site”

Espiral do Tempo

Espiral do Tempo - Perfil AlexandraGoncalves

O tempo, de descanso e aventura, passado entre o Lubango e o Namibe ficou retratado no n.º 51, mas muito mais está por vir, ainda em 2015.

Na próxima edição, por que caminhos nos levarão as estradas de Angola?

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A Revista Rotas & Sabores, em parceria com o Luanda Nightlife, publicou o Guia da Cidade de Luanda, na edição de aniversário da Revista (edição n.º 7, Fevereiro / Março de 2015).

O que é que Luanda tem?

Vai ter de ler o guia para descobrir.

Guia Luanda - cover

Recomendo a compra da revista para ter um guia todinho para si.

De todo o modo, os promotores desta iniciativa cederam-nos gentilmente o guia em PDF, que poderei enviar para todos aqueles que manifestarem vontade de o receber.

NB: A Rotas & Sabores está disponível ao público nos supermercados Kero, Descontão, Casa dos Frescos, Martal, Foodlovers, livrarias de hotéis e em algumas pastelarias em Luanda.

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Saint Tropez, imortalizada por Brigitte Bardot, vive o eterno clima efervescente de um balneário de luxo.

Linda, por mar e por terra, é ideal tanto para passeios à beira mar de mão dada como para celebrar eternos sunsets no Clube 55.

Marselha, cidade mestiça, com sotaques e aromas mesclados, casa da majestosa Catedral Notre Dame de la Garde, que oferece uma vista impagável sobre a cidade, mostra um outro lado da Riveira, um pouco menos sonhador e com mais raça.

E entre cada cidade há lugares que parecem saídos diretamente de quadros de Matisse. Ostentam o melhor do savoir vivre francês, os aromas provençais e o charme que nunca perdeu a sua originalidade.

Antibes foi morada de grandes nomes da elite intelectual e artística do mundo, tal como Pablo Picasso, cujo legado deixado na localidade está em exposição no Chateau Grimaldi. Tem um mercado tipicamente provençal que merece uma visita.

A pitoresca Saint Paul de Vence, a cidade dos pintores, Grasse, a cidade dos perfumes, e as deliciosamente snobs Saint-Jean-Cap-Ferrat e Villefranche-Sur-Mer, apelidadas de Riviera Real, têm obrigatoriamente que fazer parte do roteiro.

Eze, apenas a cinco minutos de Nice, alberga um dos melhores restaurantes de França, o Chateau de la Chèvre d’Or. Também um hotel de luxo, fica a cerca de 400 metros de altura, proporcionando uma vista incrível, enquanto se tem uma experiência gastronómica inolvidável, que contagia todos os sentidos.

Não há palavras que descrevam a experiência sensorial que é atravessar a Côte d’Azur.

Tomara que os meus olhos fossem objectivas, e que os meus dedos tivessem a magia de textualizar as emoções vividas.

Caso para dizer…je rêve encore de la Côte d’Azur.

E quanto ao terceiro olhar? Aguardo pelo Festival de Cannes.

Até lá.

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Como ir: Taag Luanda – Lisboa / Tap Lisboa – Nice

Onde ficar: Hotel Palais de la Méditerranée

Onde comer: Chateau de la Chèvre d’Or

Cuidados a ter: Efectuar reservas com antecedência

Imperdível: O Grande Prémio da Fórmula 1, no Mónaco

Texto publicado na “Porta de Embarque” da Revista Rotas & Sabores // Outubro 2014

O Rio de Janeiro continua lindo...

Acabo de chegar do Rio.

Sinto ainda o peso do jet lag, o cansaço da viagem, e uma imensa saudade que pesa mais do que tudo o resto.

O meu Rio de Janeiro continua assim…

Cheio de paisagens deslumbrantes, cenários que se encaixam em novelas de Manoel Carlos, locais preciosos a cada esquina, clichés de água de côco em riste e Havaiana no pé…e pessoas. De sorriso aberto e uma generosidade difíceis de encontrar em cenários menos maravilhosos.

Começo, por isso, por fazer uma…

Ode
Às esquerdas do Arpoador
À mística de Ipanema
À Prainha e Grumari
À Macumba que me trouxe aqui

Aos amigos com quem sorri

O meu Rio de Janeiro continua assim…

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Angola

Uma viagem

Três Surfistas

Alex Botelho Namibe

Mais do que um projecto, as produtoras The Art Affair e The Takes  iniciaram em Agosto de 2014 uma aventura.

Percorrendo Angola de Norte ao Sul, fomos à procura de ondas surfáveis e de praias nunca antes exploradas.

Encontrámos algo ainda maior…verdadeira poesia em movimento, terra vermelha a emanar Africanidade e a Alma de um Povo que recebe, toca e encanta.

Convidámo-lo a juntar-se a esta aventura, pelas páginas das produtoras, e testemunhar a elaboração daquele que será o primeiro filme Documental sobre Surf em Angola.

Surf in Angola….Are you ready?

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Formentera

No dia seguinte, o ponto alto da viagem: chegar à praia. Escolhemos Ses Illetes, no extremo norte da ilha, em que as praias são mais recortadas e, por isso, com águas muito calmas. Os olhos têm de estar semicerrados, porque ofuscados por toda aquela claridade, de um sol intenso em céu azul e aquela água, deslumbrante, cristalina azul-turquesa, azul esverdeada, azul transparente, azul caraíbas, azul paraíso. Pisar aquela areia branca e fina… E o calor? Que calor… Aquele calor em que é mesmo preciso levar chapéu-de-sol para a praia (…que o hotel empresta, ok? demorámos horas a perceber isso…), o que se percebe porque na areia estão milhares de chapéus iguais, de riscas às cores, com a típica lagartixa, símbolo de Formentera, desenhada.

No fim de um belo dia de praia, a “festa” prolonga-se no quarto do hotel, com vários jogos de adivinhas à noiva (com respostas a que ninguém normal chegaria), presentes, vinho e muita galhofa. Jantamos no Pinatar, um restaurante de paellas, na esplanada do jardim interior (duas paelhas para seis? três paelhas para quatro? uma paelha para três? “Que falta de chá”, Mercedez dixit).

Bora ao Blue Bar? Booora (talvez a palavra mais dita durante as férias). Eh pah, o carro não pega. Deixa-me tentar. Não pega mesmo. Tenta tu. Não pega. Vamos chamar o reboque. “Bambini no fare casino!” Barulhentas? Quem, nós? Difamação! Meninas, não esquecer a posição. Alejandra não larga o Blackberry porque está a jogar na bolsa… Olha!! Afinal o carro pega!! Ah, era só rodar a chave?! mais figuras de otárias em frente a estranhos. Mas parece que nada mais importa…estamos felizes!

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A noite termina num pequeno-almoço difícil no Hotel (são uns ditadores…não se pode fazer nada! nem sequer levar um pacotinho de bolachas do pequeno-almoço?!…).

Mais um dia de praia. Está um calor inacreditável e, por isso, levamos um chapéu-de-sol para cada uma (!) e montamos uma verdadeira “tenda” (acho que se calhar exagerámos um bocadinho!). A praia está cheia e há uma italiana que entra em histeria quando um dos nossos chapéus-de-sol voa. Há um barulho de fundo bom, de várias conversas ao mesmo tempo, em espanhol, italiano, português, misturadas com o som das ondas, o frenesim de barcos a entrar e a sair, bolas de vólei por todo o lado! Há fotografias, gargalhadas e escaldões. Demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo. Uma agitação que não pára e que culmina quando, ao fim da tarde, os promotores correm as praias a avisar onde vai ser o apperitivi.

Saímos da praia para o spot indicado, a música alta, tudo a buzinar, “sorriam e acenem, meninas”…quando nos apercebemos de que temos a mala do carro aberta e não somos umas superstars, afinal. Genial!

Hotel, banho, jantar. As noites são quentes e um vestido é suficiente. Jantamos no Casanita, o nosso restaurante de eleição, muito acolhedor, com pratos óptimos, uma decoração linda e shots de licores exóticos, de sobremesa. Cantamos o Vambora em coro e o restaurante pára para ouvir. Digamos que a discrição não é exactamente a nossa pedra de toque. Desculpável, afinal é uma despedida de solteira.

Vamos ao Neroopaco e dançamos sem parar no jardim com a bola de espelhos gigante pendurada.

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Há uma festa na praia, em Calla Saona. Não é fácil ir a uma festa na praia com sandálias de saltos altos. Mercedez e Alejandra tropeçam e caem agarradas uma à outra (que sonho… não aguento de tanto rir!!!). Mercedez insiste nas quedas, desta vez ao comprido, esticada mesmo em cima de uma cadeira de praia!

Bora ao Pineta? Booora. As discotecas em Es Pujols têm nomes estranhíssimos (Pineta e Pachanka…sem comentários…). No Pineta  acontece de tudo um pouco: um drag queen canta em duo com a música e o fumo branco invade a pista! Vamos para a zona exterior. Há um Espanhol que, a tentar ser simpático (…) cria uma situação digna de um “lost in translation”.  É o drama, é o horror, é um mal-educado, que ofensa! Formamos e saímos todas em fila. Cá fora, falamos sobre o episódio e afinal, tudo esclarecido, era apenas mais um motivo para rir sem parar. Nada melhor do que uma boa histeria de grupo e um pseudo “inimigo” comum, o cabrón.

 

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